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Valuation em M&A: como gerar valor real em fusões

Valuation em M&A vai além do preço. Veja como gerar valor real em fusões e aquisições e evitar os erros que destroem negócios promissores.

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Quando um CEO me procura depois de fechar uma aquisição, já com a integração em andamento, e me pergunta por que os números não estão evoluindo como o esperado, a resposta raramente está na operação. Está no valuation. Mais precisamente, no que foi ignorado durante o processo de avaliação: a diferença entre o preço pago e o valor que aquela combinação de negócios realmente tem potencial de gerar.

Essa distinção parece óbvia no papel. Na prática, quando há pressão de prazo, concorrentes circulando pelo mesmo ativo e um banco de investimento empurrando o processo, o que acontece é que o valuation vira uma peça para justificar a decisão já tomada, não o instrumento que deveria guiá-la.

O problema central: confundir preço com valor

Preço é o que você paga. Valor é o que você recebe. Em M&A, o gap entre os dois define se a operação vai criar ou destruir riqueza para o adquirente.

O que vejo com frequência é um processo em que o múltiplo de EBITDA vira âncora. A empresa-alvo está sendo negociada a 8x, o setor negocia entre 7x e 10x, então parece razoável. Só que esse raciocínio ignora uma variável crítica: o custo real de integração, que raramente aparece no modelo de forma honesta, e as sinergias, que geralmente são superestimadas no calor da negociação.

Uma empresa de distribuição que assessoramos no interior de São Paulo foi adquirida por um grupo maior com a tese de que a integração das rotas geraria ganhos expressivos em margem e cobertura de mercado. A lógica fazia sentido no papel. Mas quando a due diligence operacional foi feita de verdade, ficou claro que os sistemas de roteirização eram incompatíveis, os contratos de frete tinham cláusulas de exclusividade que limitavam a consolidação e a cultura das equipes de campo era radicalmente diferente. O custo de integração real triplicou a estimativa inicial. O múltiplo aparentemente razoável virou um preço alto.

Por que o EBITDA sozinho engana

O EBITDA é uma aproximação de caixa operacional, não uma medi