Valuation
Valuation inflado: como CEOs corrigem supervalorizações em 2026
Descubra os 4 sinais críticos de valuation inflado e como CEOs estão corrigindo supervalorizações para evitar crises de liquidez e captar investimento.
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Valuation inflado: como CEOs corrigem supervalorizações em 2026
Recebo pelo menos três ligações por semana de CEOs com a mesma angústia: "Thales, meu valuation estava em R$ 200 milhões no ano passado, mas os investidores agora falam em R$ 80 milhões. O que aconteceu?"
A resposta é dura mas necessária. A maioria dessas empresas nunca teve um valuation de R$ 200 milhões. Tinham uma expectativa inflada baseada em múltiplos irreais de 2021-2022. Agora, com juros mais altos e investidores mais criteriosos, a realidade cobra seu preço.
O mercado mudou as regras do jogo
Os dados do primeiro trimestre de 2026 são brutalmente claros. A PwC documenta que 67% das empresas de médio porte revisaram seus valuations para baixo nos últimos 18 meses. Não por escolha, mas por necessidade.
O múltiplo EV/EBITDA médio para empresas brasileiras de tecnologia caiu de 14x em 2022 para 8,5x em 2026, segundo levantamento da KPMG. Para varejo e serviços, a queda foi ainda mais severa: de 12x para 5,8x.
Como identificar se seu valuation está inflado
Múltiplos descolados da realidade setorial
O primeiro sinal aparece quando você compara seus múltiplos com empresas similares negociadas na B3. Uma empresa de logística que se avalia a 15x EBITDA enquanto as concorrentes de capital aberto negociam a 7x tem um problema sério.
Faço esse exercício com todos os clientes. Pegamos cinco empresas comparáveis, analisamos seus múltiplos dos últimos 12 meses e aplicamos um desconto de liquidez de 20-30%. O resultado costuma ser desconfortável.
Projeções otimistas demais
Vejo muitas empresas projetando crescimento de receita de 40% ao ano por cinco anos consecutivos. A matemática até funciona no Excel. A realidade é outra.
Segundo estudo da McKinsey de 2026, apenas 8% das empresas brasileiras de médio porte conseguem sustentar crescimento acima de 25% por mais de três anos. As outras 92% enfrentam gargalos operacionais, saturação de mercado ou ciclos econômicos.