M&A

Votorantim vende Nexa em M&A de US$ 1,3 bi com Boliden

A Votorantim trocou 64,7% da Nexa por 7% da Boliden, avaliada em US$ 17 bi. O que esse M&A ensina sobre desinvestimento estratégico.

Capa: Votorantim vende Nexa em M&A de US$ 1,3 bi com Boliden

Segundo Brazil Journal, a Votorantim fechou acordo para vender sua participação de 64,7% na Nexa, produtora de zinco, cobre e chumbo com operações no Brasil e no Peru, para a mineradora sueca Boliden. A transação não envolve caixa: é uma troca de ações. A Votorantim recebe 7% do capital da Boliden, um assento no conselho de administração e exposição a uma empresa avaliada em cerca de US$ 17 bilhões na Bolsa de Estocolmo.

Os números ajudam a calibrar a dimensão do negócio. A Nexa foi avaliada em US$ 2 bilhões na transação, e a fatia da Votorantim em US$ 1,3 bilhão. Com o acordo, a Boliden passa a operar 12 unidades de mineração e 8 fundições, expandindo sua presença da Europa para a América Latina.

O que chama atenção é o tempo que levou. A negociação durou cerca de seis anos, segundo fonte próxima à Nexa ouvida pelo Brazil Journal. Seis anos de conversas, avaliações, idas e vindas, até que as condições de mercado e o perfil do comprador certo se alinharam. Isso não é lentidão: é o ritmo real de um desinvestimento complexo em ativo de grande porte.

Do lado da Boliden, a lógica é clara. Diversificação geográfica em um momento em que conflitos geopolíticos e barreiras comerciais tornam a concentração de ativos em uma única região um risco operacional concreto. A empresa já é referência global em eficiência na produção de zinco, e a Nexa, mesmo com resultados abaixo do esperado nos últimos anos, entra no portfólio como plataforma de crescimento na América Latina.

Do lado da Votorantim, o movimento sinaliza algo diferente: troca de controle operacional por posição estratégica em um ativo mais líquido, global e com múltiplo superior. Sair de 64,7% de uma empresa com resultados pressionados para entrar com 7% na maior acionista de uma companhia de US$ 17 bilhões é uma recomposição de portfólio com racionalidade financeira difícil de questionar.

Na minha leitura, esse caso ilustra um padrão que vejo com frequência em processos de M&A de ativos maduros: o maior obstáculo não é encontrar um comprador, é alinhar expectativa de valor com realidade de mercado. Quando o ativo tem resultados abaixo do esperado, o vendedor tende a ancorar no potencial futuro, e o comprador precifica o histórico presente. Essa diferença de percepção é o que prolonga negociações por anos.

A estrutura de troca de ações, aqui, foi o que desbloqueou o acordo. Ao evitar a saída de caixa imediata e oferecer ao vendedor participação no upside futuro, ambos os lados encontraram um ponto de equilíbrio. Para fundadores e CEOs que avaliam desinvestimentos, isso é um lembrete prático: a estrutura da transação muitas vezes importa tanto quanto o preço headline. Um valuation bem conduzido precisa contemplar não só o quanto o ativo vale, mas em que formato a venda faz mais sentido para ambas as partes.