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Valuation de US$ 115 bi: o que a Revolut sinaliza

A Revolut atingiu valuation de US$ 115 bilhões, 53% acima da rodada anterior. O que esse múltiplo de 67,8x P/L revela sobre o mercado de fintechs?

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Segundo a Bloomberg, a Revolut está conduzindo uma rodada secundária de ações para funcionários que avalia a companhia em US$ 115 bilhões, com cada ação precificada a US$ 2.017. O número representa uma alta de 53% sobre a rodada anterior, realizada em setembro de 2024, quando o valuation era de US$ 75 bilhões. O CEO Nikolay Storonsky, em memorando interno, descreveu o momento como um período de "demanda significativa de investidores novos e existentes".

A comparação imediata é com o Nubank, hoje avaliado em US$ 67,5 bilhões em bolsa. A distância entre as duas empresas cresceu, mas a leitura precisa de mais contexto para fazer sentido estratégico.

Múltiplos que exigem explicação

O BTG Pactual calculou que, ao valuation de US$ 115 bilhões, a Revolut negocia a 67,8 vezes lucro. O Nubank, no mesmo exercício, está em 20,5 vezes. A diferença não é anomalia: reflete teses de investimento distintas.

A Revolut opera com um modelo menos intensivo em capital e com presença global, enquanto o Nubank concentra sua operação em crédito na América Latina, especialmente no Brasil. Em 2025, o Nubank tinha 131 milhões de clientes, praticamente o dobro da base da Revolut. Mesmo assim, a fintech britânica liderou em volume total de depósitos.

O mercado, portanto, não está pagando mais pela Revolut porque ela tem mais clientes. Está pagando pela diversificação geográfica e pela menor exposição ao risco de crédito em mercados emergentes.

Disputa que já chegou ao Brasil

Ambas as empresas estão avançando sobre a América Latina. A Revolut investe ativamente para expandir presença no Brasil e no México, o que transforma a comparação de valuation em algo além de curiosidade financeira: é um sinal de intensificação competitiva em mercados que o Nubank considera seu território.

Para CEOs e fundadores do setor financeiro e de fintechs, isso muda o cálculo de M&A e captação na região. Quando dois participantes globais com bilhões em caixa olham para o mesmo mercado, empresas menores ou se tornam alvos de aquisição ou enfrentam compressão de margens.

Na minha leitura

O que me chama atenção nesse caso não é o número em si, mas o mecanismo usado: rodada secundária para funcionários. Esse instrumento serve a dois propósitos simultâneos: dar liquidez a quem construiu a empresa e, ao mesmo tempo, estabelecer um preço de referência público sem abrir capital. É uma jogada de valuation estratégico, não apenas uma transação interna.

Empresas de tecnologia e fintechs brasileiras de crescimento acelerado deveriam observar esse modelo com atenção. Usar rodadas secundárias para sinalizar valor ao mercado, reter talentos e preparar terreno para um evento de liquidez maior, seja IPO ou venda estratégica, é uma sequência que funciona quando a empresa tem fundamentos para sustentar o múltiplo.

Um P/L de 67,8 vezes só se sustenta se o mercado acreditar em crescimento de lucro consistente nos próximos anos. Qualquer tropeço operacional ou mudança regulatória nessa trajetória comprime o múltiplo com velocidade. Para quem observa de fora, o valuation parece agressivo. Para quem vai comprar a tese, o ponto central é: a Revolut consegue manter a expansão geográfica sem perder disciplina de capital? Essa resposta vai definir se US$ 115 bilhões foi um piso ou um teto.