Valuation
Valuation e capex: o que o S&P 500 revela para CEOs
Goldman projeta 22% de crescimento de lucro no S&P 500. O que esses números dizem sobre valuation, alocação de capital e estratégia corporativa em 2026.
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Segundo o NeoFeed, o Goldman Sachs projeta crescimento de 22% no lucro por ação agregado do S&P 500 no segundo trimestre de 2026, o maior avanço em cinco anos. Dois nomes concentram cerca de 40% desse crescimento: Nvidia e Micron Technology, que juntas representam apenas 9% do índice. A Nvidia registrou receita de US$ 81,6 bilhões no último trimestre, alta de 85% sobre o mesmo período de 2025. A Micron triplicou receita na comparação anual, chegando a US$ 23,86 bilhões com recordes em todas as métricas: receita, margem, lucro por ação e fluxo de caixa livre.
O banco revisou o target do S&P 500 para 8.000 pontos ao fim de 2026, ante 7.600 anteriores, e elevou a projeção de crescimento de lucros do índice para 24% sobre o ano anterior. O gatilho foi a revisão do capex das grandes empresas de tecnologia, estimado em US$ 754 bilhões em 2026, valor 83% superior ao do ano passado, com projeção de US$ 905 bilhões em 2027.
Mas o próprio Goldman levanta um alerta: esses investimentos já pressionam retornos, e a sustentabilidade do ciclo depende da capacidade dessas empresas de converter gastos em ganhos concretos.
O que isso tem a ver com a sua empresa
Para CEOs e CFOs de empresas brasileiras, a leitura superficial seria: "isso é coisa de mercado americano". A leitura útil é outra.
Quando empresas globais alocam US$ 754 bilhões em infraestrutura tecnológica num único ano, o custo de ficar parado aumenta. Não porque você precise replicar esse volume, mas porque seus concorrentes, fornecedores e clientes estão sendo reprecificados por esse ciclo. Empresas que capturam ganhos de produtividade nesse ambiente chegam a processos de valuation com múltiplos superiores. As que ficam estagnadas chegam com desconto.
Há outro ponto relevante: a concentração de retorno em poucos ativos, algo que o Goldman destaca no S&P 500, é um padrão que também aparece em carteiras de M&A. Em qualquer processo de fusão ou aquisição bem estruturado, a maior parte do valor criado vem de um núme