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Venda de empresa: Simpar destrói dívida com M&A

Simpar vende terminais portuários por R$ 1,8 bi para a ICTSI. O que CEOs e CFOs podem aprender sobre desinvestimento estratégico e desalavancagem.

Capa: Venda de empresa: Simpar destrói dívida com M&A

Segundo o Brazil Journal, a Simpar vendeu dois terminais portuários na Bahia, o ATU12 e o ATU18, que compõem o CS Porto Aratu, por um enterprise value de R$ 1,8 bilhão. O comprador é a ICTSI Américas, subsidiária da filipina ICTSI, uma das maiores operadoras de terminais portuários do mundo.

A estrutura da transação merece atenção. Do total, R$ 1 bilhão corresponde a assunção de dívidas pelo comprador, enquanto R$ 800 milhões representam equity value. Desse montante, R$ 650 milhões são pagos no fechamento e R$ 100 milhões ficam atrelados a um earnout com prazo de até 18 meses. Uma estrutura clássica para ativos com potencial de valorização ainda em curso: o vendedor captura o valor presente e mantém exposição limitada ao upside futuro.

Os terminais foram adquiridos pela Simpar em 2020, num leilão de concessão. Nos cinco anos seguintes, a companhia investiu R$ 900 milhões na modernização dos ativos, expandindo a capacidade em cerca de 5 vezes, para 9,5 milhões de toneladas por ano. Os terminais atendem principalmente o corredor agrícola do Matopiba, uma das regiões de maior crescimento do agronegócio brasileiro.

O mercado aprovou. As ações da Simpar subiram mais de 5% após o anúncio, com a companhia atingindo valor de mercado de R$ 4,4 bilhões na Bolsa. O efeito positivo não veio apenas do caixa gerado, mas do que a transação revela: os ativos de infraestrutura da holding de Fernando Simões carregavam valor que o mercado não precificava adequadamente antes do negócios.

Na minha leitura, essa operação ilustra um movimento que vejo com frequência em grupos diversificados sob pressão de balanço: o desinvestimento cirúrgico como ferramenta de valuation e de governança financeira. A Simpar não vendeu um ativo problemático. Vendeu um ativo valorizado, estrategicamente relevante para um comprador global, e usou a transação para dois fins simultâneos: reduzir alavancagem e forçar o mercado a reconhecer o valor real do portfólio.

Isso é M&A com tese. Não é venda por necessidade, é venda por posicionamento. A diferença no preço final é substancial.

Para CEOs e CFOs de empresas com portfólios diversificados, a pergunta que esse caso coloca é direta: quais ativos do seu balanço têm valor que o mercado, ou os seus próprios sócios, ainda não enxergam? Em muitos casos, um processo estruturado de due diligence e posicionamento para venda revela esse gap antes de qualquer negociação. Quem chega à mesa sabendo o que vale, negocia em condições radicalmente diferentes de quem chega precisando vender.