Estratégia Corporativa

Selic em queda: como fundos de previdência redefinem risco

Primeiro corte da Selic em dois anos sinaliza mudança de estratégia nos fundos de previdência, mas renda fixa ainda domina alocações corporativas.

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Segundo Exame, a recente queda da Selic de 15% para 14,75% marca um ponto de inflexão importante para gestores de tesouraria e CFOs que administram planos de previdência corporativa. Embora seja o primeiro corte em quase dois anos, a estratégia dominante continua focada em renda fixa, dada a ainda expressiva atratividade dos retornos.

"O ciclo de corte para 2026, na nossa visão, é de uma redução que ainda mantém a atratividade na renda fixa. Então eu não vejo nenhum movimento muito forte na direção de produtos mais agressivos ou arriscados", afirma Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Vida, Previdência e Investimentos. Esta perspectiva é crucial para empresas que precisam equilibrar retorno e proteção do capital em seus planos corporativos.

O Boletim Focus projeta Selic de 12,50% para o final do ano (revisão para cima dos anteriores 12,25%), mantendo a renda fixa como protagonista nas carteiras institucionais. Para fundadores e CEOs, isso significa que estratégias conservadoras ainda oferecem retornos competitivos sem exposição excessiva a volatilidade.

Contudo, o movimento em direção a ativos de risco já mostra sinais. A renda variável brasileira apresentou performance robusta em 2026: o Ibovespa subiu 13,40% até 26 de março. Mais significativo ainda é o fluxo de capital estrangeiro, que segundo o JP Morgan, totalizou US$ 7 bilhões em março (até dia 19), elevando o acumulado anual para R$ 48,5 bilhões (aproximadamente US$ 9,2 bilhões).

O JP Morgan destaca como "extraordinário o fato de o Brasil estar recebendo fluxos em um momento de aversão ao risco global", sinalizando oportunidades para empresas com apetite por diversificação de portfólio.

Para gestores corporativos, a BB Previdência alerta sobre a necessidade de cautela: "Embora os retornos em 2025 e nos dois primeiros meses de 2026 tenham sido muito positivos, persiste uma elevada incerteza sobre indicadores relevantes, como o comportamento da inflação. Soma-se a isso o cenário geopolítico".

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