Performance Empresarial
Santander: ROE de 16% revela pressões estruturais do setor
Queda no lucro e ROE do Santander expõe desafios que toda empresa enfrenta: carga tributária crescente e pressão por eficiência operacional.
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Por que o resultado do Santander importa para sua empresa
Segundo Brazil Journal, o lucro do Santander despencou para R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre, uma retração de 7,3% frente ao quarto trimestre e de 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado ficou abaixo do consenso de mercado, que era de R$ 4,1 bilhões.
O que mais chama atenção não é apenas o número absoluto. O ROE recuou para 16%, frente aos 17,6% do trimestre anterior. Para gestores que acompanham indicadores de rentabilidade, esse movimento revela uma pressão que vai muito além do setor bancário.
A armadilha tributária que afeta todas as empresas
O CEO Mario Leão foi direto ao ponto: atribuiu a queda a uma alíquota maior de imposto, de 15%, ante os 2,6% de outubro a dezembro. Esse salto tributário de quase 6x ilustra um fenômeno que vejo com frequência nas empresas que assessoramos.
Quando a carga tributária aumenta drasticamente de um período para outro, a primeira reação é olhar apenas para a linha de resultado líquido. O movimento mais inteligente é analisar o lucro antes de impostos, que no caso do Santander aumentou 5,4% no trimestre.
O que os números realmente dizem sobre desempenho
"Estamos satisfeitos com a maneira como o banco está construindo seu portfólio," disse Mario Leão. "Temos segurança de que o ROE voltará a crescer ao longo do ano."
Essa declaração revela uma estratégia que vejo empresas bem-sucedidas adotarem: separar ruído de sinal. O lucro antes de impostos cresceu 5,4% trimestre a trimestre, indicando que a operação mantém solidez, mesmo com pressões externas.
Analistas e investidores, porém, têm visão diferente. A ação caiu quase 2% no dia da divulgação. Segundo analistas, a baixa só não foi maior porque o banco já vinha sinalizando resultados fracos. Além disso, a ação já havia underperformado os pares em cerca de 20% no ano.
Lições para gestores corporativos
Três pontos merecem destaque:
- Gestão de expectativas: O Santander já sina