Estratégia Corporativa

CEO da Riachuelo ameaça demissões após fim da taxa das blusinhas

André Farber alerta para assimetria tributária insustentável que pode forçar demissões e migração para modelo cross-border no varejo nacional.

Capa: CEO da Riachuelo ameaça demissões após fim da taxa das blusinhas

Quando política tributária força reestruturação operacional

Segundo NeoFeed, André Farber, CEO da Riachuelo, colocou as cartas na mesa: se o governo mantiver o fim da "taxa das blusinhas", a empresa terá que demitir funcionários. "Não tem milagre", afirmou o executivo em entrevista exclusiva, referindo-se à revogação da alíquota de 20% sobre importações de até US$ 50.

Os números da Riachuelo impressionam: 450 lojas, 33 mil funcionários e receita líquida de R$ 2,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com crescimento de 6,7% sobre o mesmo período anterior. Uma operação dessa magnitude não faz ameaças vazias.

A assimetria que quebra a competição

Farber tocou no ponto crucial que todo CEO deveria estar observando: a decisão do governo criou uma "assimetria tributária insustentável" entre varejistas nacionais e plataformas de e-commerce estrangeiras como Shein, Shopee, Temu e AliExpress.

A medida provisória assinada pelo presidente Lula em 12 de maio pegou o setor desprevenido. Cerca de 50 entidades empresariais já haviam divulgado manifesto alertando que a revogação colocaria em risco R$ 100 bilhões em investimentos no país.

O dilema estratégico do varejo nacional

A Riachuelo agora enfrenta duas alternativas igualmente dolorosas:

  • Manter operação atual: aceitar a desvantagem competitiva e cortar custos via demissões
  • Migrar para cross-border: "Nada nos impede de fazer cross-border. Eu instalo uma empresa lá (na Ásia), começo a trazer e mandar no formato de pequenos pacotes", explicou Farber

A segunda opção significaria mais demissões no Brasil, já que a operação local perderia relevância.

Quando sobrevivência empresarial supera idealismo

"Se a gente chegar à conclusão que esta decisão será mantida, vamos ter que começar a demitir pessoas", disse Farber. A frase resume um dilema que CEOs conhecem bem: entre preservar empregos e garantir a sobrevivência da empresa, não há muito o que escolher.

O executivo propôs uma alternativa ao gove