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M&A e private equity: o que a crise do Patria revela

O Patria remarca cotas e liquida fundo de private equity. O que CEOs e fundadores precisam entender sobre valuation e saída em ciclos de juro alto.

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Segundo NeoFeed, o Patria Investimentos está promovendo uma remarcação significativa nos valores de dois de seus fundos de private equity na América Latina. O movimento reflete um ciclo prolongado de juros e inflação elevados que comprimiu liquidez, reduziu captação e obrigou a gestora a revisar as premissas de crescimento das empresas investidas.

O Fundo 4, lançado em 2011, sofre o ajuste mais severo. O MOIC (Multiple on Invested Capital) cai de 0,83 no primeiro trimestre de 2026 para 0,3 neste trimestre, uma redução de 57% no valor da cota. Na prática: quem investiu R$ 1 milhão no fundo receberia hoje R$ 300 mil. A decisão foi liquidar o veículo o mais rápido possível, acelerando a venda de todos os ativos do portfólio, entre eles a SuperFrio (logística refrigerada), a Gran Coffee (autosserviço de bebidas) e a Víncula (próteses médicas).

O Fundo 5 também passa por ajuste, com o MOIC reduzido de 2,5 para 1,6. Os fundos 6 e 7 terão remarcações menores, com premissas revisadas de forma conservadora. Ao todo, a estratégia buyout do Patria responde por aproximadamente R$ 50 bilhões sob gestão na América Latina, dentro de um total de R$ 130 bilhões em private equity e R$ 309 bilhões em ativos geridos.

Apesar do cenário adverso, a gestora captou US$ 7,7 bilhões em 2025 e US$ 2,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano, mantendo perspectiva positiva para captações futuras.

O que isso significa para quem toma decisões

A remarcação do Patria não é um problema isolado de um fundo específico. É um sinal de mercado que qualquer fundador ou CEO precisa ler com atenção antes de estruturar uma venda de empresa ou captar investimento via M&A.

Quando juros permanecem altos por um ciclo prolongado, duas coisas acontecem simultaneamente: o custo de oportunidade do capital sobe e os múltiplos de valuation comprimem. Uma empresa que valia 8x EBITDA em 2021 pode ser precificada a 4x ou 5x hoje, não porque o negócio piorou, mas porque o ambiente mudou.

Além disso, fundos com horizonte de desinvestimento definido, como o Fundo 4 do Patria, tornam-se vendedores compulsórios. Precisam vender, independentemente do momento. Para o comprador estratégico bem posicionado, isso cria janelas reais de aquisição com ativos de qualidade a preços pressionados.

Na minha leitura

O caso do Patria evidencia algo que vejo com frequência em processos de M&A assessorados pelo Grupo Sapiens: a diferença entre o valuation que o vendedor imagina e o que o mercado aceita pagar está diretamente ligada ao momento do ciclo de juros, não apenas à desempenho operacional da empresa.

Fundadores que planejam uma venda de empresa nos próximos 12 a 24 meses precisam antecipar essa conversa. Preparar o negócio para um processo competitivo de M&A, com due diligence organizada, governança corporativa sólida e EBITDA ajustado auditável, é o que separa quem negocia com poder de quem aceita qualquer proposta porque o processo começou tarde demais.

O relógio do private equity está em modo acelerado. Para quem está do outro lado da mesa, esse pode ser o melhor momento para agir.