Estratégia Corporativa

Precificação dinâmica: o que a Copa ensina sobre estratégia

5 milhões de pedidos em 24 horas para um único jogo. O que a Copa do Mundo revela sobre precificação dinâmica e estratégia de receita.

Capa: Precificação dinâmica: o que a Copa ensina sobre estratégia

Segundo a Exame, o confronto entre Colômbia e Portugal, realizado neste sábado no Hard Rock Stadium em Miami, registrou 5 milhões de solicitações de ingressos nas primeiras 24 horas após a abertura das vendas pela FIFA. O número superou até a demanda pela final do torneio, segundo informações do New York Times citadas pela publicação.

O dado não é apenas curiosidade esportiva. É um caso de manual sobre como oferta restrita, demanda concentrada e precificação dinâmica criam um mercado secundário robusto. Ingressos chegaram a US$ 6 mil (cerca de R$ 33 mil) em plataformas de revenda como o StubHub.

O que gerou essa demanda

Dois vetores combinados produziram esse resultado:

  • Base de torcedores local: a região metropolitana de Miami concentra quase 300 mil colombianos e descendentes, distribuídos principalmente nos condados de Miami-Dade e Broward. A Flórida tem perto de 1 milhão de pessoas dessa comunidade em todo o estado.
  • Ativo de atração global: a presença de Cristiano Ronaldo em campo, um dos maiores jogadores de todos os tempos, amplia o alcance do evento muito além da torcida local.

Somado a isso, Portugal precisava vencer para assumir a liderança do grupo. Colômbia entrava com 6 pontos, Portugal com 4. Havia jogo em aberto, o que amplificou ainda mais o interesse.

A lógica da precificação dinâmica

Robson Carlo, sócio-fundador da FutebolCard, plataforma de gestão de ingressos e programas de sócio-torcedor, apontou na Exame que o preço dinâmico foi central nesse resultado. Existe um mito de que esse modelo apenas encarece os ingressos. Na prática, ele também corrige erros de precificação inicial: quando uma entidade define um preço abaixo do que o mercado pagaria, o público no estádio fica aquém do esperado e a receita fica na mesa.

Para o modelo funcionar, como ele ressaltou, é preciso reorganizar a indústria: liberar o mercado secundário e combater o cambismo de forma estruturada.

Joaquim Lo Prete, general manager da Absolut Sport no Bra