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M&A em saúde nos EUA: a lógica do roll-up americano

Fundador da Drýs Capital compra empresa de saúde nos EUA e mira consolidação via M&A. O que esse movimento ensina sobre roll-ups além-fronteira.

Capa: M&A em saúde nos EUA: a lógica do roll-up americano

Segundo o NeoFeed, Luis Felipe Amaral, fundador e CEO da Drýs Capital, acaba de dar o primeiro passo num movimento de consolidação no setor de saúde americano. Por meio do America Wellness Group (AWG), ele e dois sócios radicados nos Estados Unidos adquiriram a New Hampshire Medical Supply, fornecedora independente de equipamentos médicos domiciliares em Washington. O valor da operação não foi divulgado.

A tese é clássica de M&A: comprar uma empresa operacional, usá-la como plataforma e escalar via aquisições sucessivas. O mercado conhece isso como roll-up. A AWG já está em conversas com cerca de dez empresas do setor e avalia oportunidades em diferentes estados americanos.

Amaral foi direto sobre o racional de escolher os EUA em vez do Brasil: o ambiente de financiamento para fusões e aquisições é radicalmente diferente. Bancos médios americanos estruturam crédito específico para esse tipo de operação, o que no Brasil ainda é exceção. Quem já tentou montar uma estrutura de aquisições alavancadas no mercado brasileiro sabe exatamente do que ele está falando.

Por enquanto, a operação roda com capital próprio dos sócios. Se o modelo se confirmar, Amaral pretende abrir a plataforma a investidores da Drýs, seja via fundo de private equity, seja com participação direta nas empresas adquiridas.

Na minha leitura

O que Amaral está fazendo não é novidade no mercado americano, onde search funds e plataformas de consolidação setorial são mecanismos bem estabelecidos. A novidade é ver um gestor brasileiro estruturando isso com capital próprio, sem depender de LP externo desde o início. Essa escolha tem um efeito prático importante: velocidade de decisão. Sem comitê de investimento para consultar, as primeiras aquisições acontecem mais rápido, o que é decisivo para capturar os melhores ativos antes que um consolidador maior apareça.

O setor de equipamentos médicos domiciliares nos EUA reúne características que atraem consolidadores: alta fragmentação, receita recorrente via contratos com operadoras de saúde e baixa adoção de tecnologia em empresas menores. São exatamente as condições que tornam o valuation das empresas-alvo ainda deprimido, criando janela de entrada antes que o mercado precifique o potencial de consolidação.

Para CEOs e fundadores brasileiros, o caso levanta uma pergunta concreta: sua empresa já avaliou como se posicionar em setores fragmentados, aqui ou fora? Roll-ups bem executados criam valor desproporcional ao capital investido, mas exigem disciplina de processo, critério rigoroso de seleção de alvos e, sobretudo, uma plataforma operacional sólida que sirva de âncora. A New Hampshire Medical Supply cumpre esse papel para a AWG. A pergunta é o que cumpre esse papel na sua estrutura.