M&A e Investimentos
M&A brasileiro cresce 34% e muda cenário para médio porte
Fusões e aquisições no Brasil registram volume recorde de R$ 187 bilhões em Q1 2026. Empresas médias precisam se posicionar agora.
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
M&A brasileiro cresce 34% e muda cenário para empresas de médio porte
O mercado de fusões e aquisições no Brasil registrou crescimento de 34% no primeiro trimestre de 2026, alcançando volume transacionado de R$ 187 bilhões em 312 operações. Os dados foram divulgados pela B3 na manhã desta segunda-feira, 24 de março, consolidando o melhor Q1 da série histórica iniciada em 2019.
Segundo reportagem publicada pelo Valor Econômico, o setor de tecnologia liderou com 89 transações (28% do total), seguido por serviços financeiros com 67 operações e agronegócios com 43 deals. O ticket médio das transações subiu 22%, passando de R$ 410 milhões para R$ 502 milhões no período.
O que explica essa aceleração
Esse movimento não surge do acaso. Desde o segundo semestre de 2025, venho observando três vetores convergindo: taxa Selic em queda (atual 9,75%), fluxo de capital estrangeiro mais intenso e empresários nacionais com maior apetite para consolidação setorial.
O que me chama atenção é a mudança no perfil das operações. Diferentemente dos ciclos anteriores, onde predominavam mega-deals acima de R$ 5 bilhões, agora 68% das transações ficam na faixa de R$ 50 milhões a R$ 1,2 bilhão - exatamente o sweet spot das empresas de médio porte.
Os múltiplos também estão mais atrativos. Dados da ANBIMA mostram EV/EBITDA médio de 8,2x no Q1 2026, ante 11,4x no mesmo período de 2025. Para quem está vendendo, ainda são múltiplos interessantes. Para compradores, já não estamos mais no território de "bolha".
Impacto direto para o médio porte
Se você é CEO de uma empresa com faturamento entre R$ 100 milhões e R$ 2 bilhões, este cenário muda completamente sua equação estratégica. Primeiro, porque seus concorrentes maiores estão mais agressivos na busca por consolidação. Segundo, porque fundos de private equity voltaram ao jogo após 18 meses de "seca".
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