M&A
M&A em dados: o que a compra da Row Zero revela
A aquisição da Row Zero pela Databricks expõe uma tendência de M&A que CEOs e CFOs precisam entender: governança de dados como ativo estratégico.
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Segundo a Startups, a Databricks anunciou a aquisição da Row Zero, startup especializada em planilhas em nuvem capazes de processar grandes volumes de dados corporativos. O valor da operação não foi divulgado.
O movimento chama atenção não pela tecnologia em si, mas pelo problema que ele resolve. Planilhas continuam sendo o principal instrumento de análise e decisão em empresas de todos os portes. O trouble é que esses arquivos circulam fora dos sistemas oficiais da companhia, criando silos de informação, inconsistências e risco de governança. A Row Zero resolve isso ao permitir que as equipes trabalhem diretamente com dados corporativos ativos e governados, sem exportar arquivos para ambientes externos.
Essa aquisição entra numa lógica que o mercado de M&A global vem reforçando em 2026: empresas compram ativos que eliminam fricção operacional e fortalecem controle de dados. Não é uma aposta em tecnologia futura. É uma compra de capacidade presente, com impacto imediato em como equipes de negócio tomam decisões.
Para CEOs e CFOs, o sinal aqui é direto. Se sua empresa ainda opera com planilhas descentralizadas, circulando por e-mail ou armazenadas localmente, você tem um problema de governança que afeta tanto a qualidade das decisões quanto o valor percebido do negócio em qualquer processo de due diligence. Compradores e investidores olham para isso.
Alguns pontos centrais da operação:
- A tecnologia da Row Zero será integrada ao Genie, agente de negócios da Databricks
- Usuários poderão transitar de interações em linguagem natural para interfaces de planilha dentro do mesmo ambiente
- O foco declarado é manter dados corporativos dentro de sistemas governados, sem exportação para arquivos avulsos
- O valor da transação não foi revelado
Na minha leitura, esse M&A ilustra algo que vejo com frequência em empresas médias e grandes no Brasil: a distância entre onde os dados estão e onde as decisões são tomadas. Essa lacuna tem custo real, seja em tempo perdido consolidando informações, seja em decisões tomadas com base em versões desatualizadas de um mesmo arquivo.
Mais do que acompanhar o movimento da Databricks, o exercício útil para qualquer gestor é mapear onde sua empresa toma decisões críticas e com que qualidade de dado. Se a resposta envolver planilhas que ninguém sabe ao certo qual é a versão mais recente, o problema não é tecnológico. É de processo e governança, e isso tem peso direto na estratégia corporativa e no valuation do negócio.
Empresas que chegam a um processo de venda ou captação com dados estruturados e auditáveis negociam em posição diferente. Não é detalhe operacional. É vantagem competitiva na mesa de negociação.