M&A
M&A brasileiro salta 47% no Q1 2026 com transações bilionárias
Mercado registrou R$ 23,8 bilhões em operações nos primeiros 3 meses. Movimento sinaliza novo ciclo de consolidação setorial.
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Volume bilionário marca novo patamar
O mercado brasileiro de M&A registrou R$ 23,8 bilhões em transações no primeiro trimestre de 2026, representando crescimento de 47% sobre o mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela B3 na última terça-feira (18 de março). O volume inclui 127 operações anunciadas, sendo 23 com valor superior a R$ 500 milhões cada.
O destaque ficou por conta do setor de infraestrutura, que respondeu por R$ 8,2 bilhões do total, seguido por tecnologia (R$ 4,7 bilhões) e agronegócios (R$ 3,9 bilhões). Conforme relatório da PwC divulgado ontem, 67% das transações envolveram empresas de médio porte com faturamento entre R$ 100 milhões e R$ 2 bilhões.
O que está por trás dessa aceleração
Esse movimento não surge do vácuo. Desde o segundo semestre de 2025, acompanho uma mudança estrutural no apetite dos investidores brasileiros. A taxa Selic em trajetória descendente (atual 9,25%) e o CDI mais baixo tornaram ativos reais mais atraentes que renda fixa.
Minha leitura é que estamos vivenciando um ciclo clássico de consolidação setorial. Empresas que sobreviveram às turbulências de 2023-2024 chegaram em 2026 com balanços mais limpos e maior clareza estratégica. Resultado: múltiplos de EV/EBITDA subiram de 7,2x no final de 2025 para 8,9x no Q1 2026, segundo análise da KPMG publicada na segunda-feira.
O que me chama atenção nesse movimento é a participação crescente de family offices nacionais, que representaram 34% das operações acima de R$ 100 milhões. Isso indica maturidade do mercado brasileiro — não dependemos mais exclusivamente de capital estrangeiro para grandes transações.
Impacto direto para executivos e fundadores
Se você é CEO de uma empresa de médio porte no setor de tecnologia ou agronegócios, este cenário traz oportunidades concretas. Os múltiplos atuais favorecem quem tem EBITDA consistente acima de R$ 50 milhões anuais. Para empresas com fatur