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M&A: M. Dias Branco compra Grespan e volta às aquisições
Após quatro anos sem M&A, M. Dias Branco adquire 80% da Grespan por valor não divulgado. O que essa movimentação revela sobre estratégia de expansão.
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Segundo o NeoFeed, a M. Dias Branco anunciou a aquisição de 80% da Grespan, fabricante de pães congelados fundada em 2009 em Marília (SP), encerrando quatro anos sem nenhum movimento inorgânico. O valor da transação não foi divulgado. O contrato inclui opção de compra do capital remanescente em até cinco anos, período em que os sócios atuais permanecem na operação.
A Grespan faturou aproximadamente R$ 139 milhões em 2025 e atende clientes principalmente no Sudeste e Centro-Oeste. A operação foi estruturada via Jasmine, subsidiária incorporada pela M. Dias Branco em junho de 2022 por R$ 350 milhões, criada exatamente para diversificar portfólio em segmentos adjacentes ao core de massas e biscoitos.
O último M&A da companhia havia sido em outubro de 2022, com a aquisição da Darcel, detentora da marca Las Acacias no Uruguai, a primeira operação internacional da empresa. Desta vez, o movimento é doméstico, mas abre uma categoria inteiramente nova: panificação congelada.
No primeiro semestre de 2026, a M. Dias Branco registrou lucro líquido de R$ 275,2 milhões, abaixo do período anterior. As ações subiram 1,27% no dia do anúncio, mas acumulam queda de 16,9% em 2026. A companhia está avaliada em R$ 6,67 bilhões.
Na minha leitura
Quatro anos sem aquisição para uma empresa do porte da M. Dias Branco não é inércia: é seleção. Quando o mercado de M&A está aquecido e os múltiplos altos, empresas disciplinadas aguardam. A Grespan, com faturamento de R$ 139 milhões e presença regional consolidada, representa exatamente o perfil de alvo que faz sentido nesse momento: tamanho gerenciável, categoria com vento a favor e equipe fundadora disposta a permanecer.
A decisão de manter os sócios por até cinco anos é tecnicamente correta. Em categorias onde o conhecimento operacional e os relacionamentos com clientes são o ativo real, trocar o time logo após a aquisição é um dos erros mais caros que um comprador pode cometer. A M. Dias Branco sinalizou que entende isso.
O que chama atenção, para quem analisa estratégia de portfólio, é a consistência da tese: a Jasmine foi criada para diversificar, a Darcel expandiu geograficamente, e agora a Grespan adiciona uma categoria de alto crescimento no varejo alimentar. Cada peça tem lógica própria e encaixa num desenho maior.
Para CEOs e fundadores que observam esse movimento de fora: o que a M. Dias Branco está fazendo é M&A com critério de plataforma, não de oportunismo. Cada aquisição reforça uma capacidade que a empresa não teria organicamente no prazo que o mercado exige. Essa distinção, entre comprar para crescer e comprar para construir, é o que separa transações que geram valor das que apenas aumentam receita no papel.