Estratégia Corporativa
Por que 87% dos CEOs não confiam na capacidade de transformação
Pesquisa Russell Reynolds revela gap entre discurso e realidade na adoção de IA. AI Readiness vai além de ferramentas: exige capacidade de julgamento.
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Por que 87% dos CEOs não confiam na capacidade de transformação das próprias empresas
Segundo NeoFeed, uma pesquisa da Russell Reynolds revelou um paradoxo preocupante: embora líderes reconheçam a mudança tecnológica como ameaça estratégica, a maioria não investe na capacidade real de transformação organizacional.
O problema está na interpretação equivocada do que significa "AI Readiness". Comprar licenças de IA e integrar ferramentas ao fluxo de trabalho virou sinônimo de prontidão. Não é.
O que realmente significa estar pronto para IA
AI Readiness real é a capacidade organizacional de tomar boas decisões sobre inteligência artificial, não apenas utilizá-la. Boas decisões exigem julgamento. Julgamento precisa de tempo para se desenvolver.
Esse tempo não responde a licenças compradas nem a prompts treinados. Responde a cultura organizacional, processos estruturados e liderança preparada para navegar incertezas.
O gap entre discurso e realidade interna
A dissociação é evidente. Empresas parecem prontas nos slides de apresentação, mas não estão preparadas onde realmente importa. A liderança que não tem linguagem para conversar com as próprias equipes sobre o medo de substituição por IA acaba silenciando o assunto.
Essa abordagem cria dois problemas imediatos:
• Resistência velada: Funcionários sabotam iniciativas que percebem como ameaça • Decisões superficiais: Investimentos em IA baseados em tendência, não em estratégia
Três pilares da prontidão real
Capacidade de julgamento: Saber quando usar IA e quando não usar. Uma metalúrgica de Betim economizou R$ 2,3 milhões em 2025 automatizando apenas 30% dos processos, não 80% como o fornecedor sugeriu.
Gestão de mudança estruturada: Processos claros para abordar medos e incertezas. Transparência sobre impactos no emprego e requalificação.
Tempo como variável estratégica: Entender que prontidão não se declara, se desenvolve. Como o conceito japonês de zanshin, a atenção que permanece depois da técnica executada.
Na minha leitura como estrategista
Vejo esse padrão em 70% dos diagnósticos que fazemos no Grupo Sapiens. CEOs investem milhões em tecnologia, mas subestimam o tempo necessário para desenvolver capacidade interna real.
A pressão por resultados rápidos cria uma armadilha: empresas "prontas" no papel que fracassam na execução. O movimento correto é inverso, começar pela cultura e capacidade de julgamento, depois partir para ferramentas.
Quem entende isso primeiro ganha vantagem competitiva sustentável. Quem não entende, queima caixa em projetos de IA que não geram valor real.