Performance Empresarial

Itaú mostra ROE de 24,8%: lições para CEOs sobre consistência

Banco entrega lucro de R$ 12,3 bi no 1T com inadimplência controlada. Análise do que CEOs podem aprender sobre gestão de performance.

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ROE de 24,8% em cenário adverso: o que o Itaú ensina sobre gestão

Segundo Brazil Journal, o Itaú entregou lucro líquido de R$ 12,3 bilhões no primeiro trimestre, queda marginal de 0,3% contra o trimestre anterior, mas alta de 10,4% na comparação anual. O destaque fica por conta do ROE (retorno sobre patrimônio líquido) de 24,8%, subindo de 24,4% no quarto trimestre e de 22,5% há um ano.

O banco conseguiu manter a inadimplência acima de 90 dias estável, mesmo em um cenário macroeconômico mais desafiador. O lucro antes de impostos (EBT) cresceu 4,8% anualmente para R$ 17,5 bilhões, desaceleração esperada após trimestres de crescimento de dois dígitos.

O "relógio suíço" da desempenho corporativa

O Citi comparou o Itaú a um relógio suíço pela consistência dos resultados. Essa analogia revela algo fundamental: a previsibilidade operacional como vantagem competitiva. Enquanto muitas empresas oscilam entre trimestres espetaculares e decepcionantes, o banco mantém uma cadência controlada.

Para CEOs de outros setores, isso ilustra a diferença entre crescimento sustentável e crescimento volátil. O Itaú não está entregando surpresas positivas que empolgam investidores a cada trimestre. Está construindo uma máquina de gerar retorno que funciona independente das variações de humor do mercado.

Gestão de risco como diferencial estratégico

Um analista do sellside destacou que, embora o resultado não seja "super animado" para investidores, a qualidade dos ativos (asset quality) permanece forte. Isso é especialmente relevante para investidores estrangeiros, que priorizam solidez sobre crescimento agressivo em mercados emergentes.

A inadimplência controlada em momento de pressão macroeconômica demonstra disciplina na originação de crédito. Para gestores de outras indústrias, isso traduz a importância de manter critérios rigorosos mesmo quando a pressão por crescimento aumenta.

Lições para a gestão empresarial

O case do Itaú oferece três percepçãos práticos para líderes empresariais:

  1. Consistência supera volatilidade: ROE crescente por três trimestres consecutivos vale mais que um trimestre excepcional seguido de retração
  2. Gestão de risco antecipada: controlar inadimplência antes que ela se torne problema, não depois
  3. Comunicação transparente: anunciar desaceleração esperada evita surpresas negativas e mantém credibilidade

Na minha leitura como estrategista

O resultado do Itaú reflete uma abordagem de gestão que prioriza sustentabilidade sobre espetáculo. Em um ambiente onde CEOs são pressionados a entregar crescimento acelerado, o banco escolhe a rota da consistência operacional.

Isso não significa conservadorismo excessivo. ROE de 24,8% está bem acima da média do sistema financeiro brasileiro. Significa, sim, uma compreensão madura de que investidores de longo prazo preferem retornos previsíveis a montanhas-russas de desempenho.

Para fundadores e CEOs de empresas em crescimento, o modelo Itaú sugere que é possível construir valor sem abrir mão da disciplina financeira. A chave está em encontrar o ponto de equilíbrio entre ambição e prudência, algo que poucos conseguem acertar consistentemente.