Estratégia Corporativa

Por que grandes investidores estão voltando ao Brasil agora

Cristiano Souza, da Zeno Equity Partners, retornou ao Brasil após 11 anos vendo oportunidade única: mercado mal precificado e assimetria histórica.

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Segundo NeoFeed, uma mudança silenciosa está acontecendo no cenário de investimentos. Enquanto o noticiário econômico alimenta pessimismo, grandes gestores internacionais começam a reposicionar capital no Brasil.

O movimento contrário dos grandes participantes

Cristiano Souza, fundador da Zeno Equity Partners e cofundador da gestora Dynamo, tomou uma decisão que vai contra o senso comum: voltou a investir no Brasil depois de 11 anos afastado. Sua gestora, com US$ 300 milhões sob gestão, realocou capital na América Latina justamente no fim de 2024 e início de 2025.

O momento não poderia ser mais controverso. Dólar acima de R$ 6, bolsa pressionada e discursos negativos de grandes nomes como Stuhlberger, Rogério Xavier e Márcio Appel dominavam as manchetes.

"Quando todo mundo desistiu do Brasil, eu voltei a investir", declarou Souza durante o Brazilian Regional Markets (BRM), evento organizado pela Apex Partners. Sua tese central: existe uma assimetria macroeconômica que o mercado ainda não conseguiu precificar adequadamente.

A desconexão entre percepção e realidade

A estratégia de Souza baseia-se numa premissa simples: riscos superestimados versus retornos subestimados. Para quem opera empresas no Brasil, essa desconexão cria oportunidades concretas de expansão, aquisições e captação de recursos a preços mais atrativos.

Fernando Cinelli, da Apex Partners, complementa essa visão defendendo uma mudança cultural no investimento brasileiro. O foco deve migrar dos títulos públicos para projetos produtivos, criando um ambiente mais favorável ao crescimento empresarial sustentável.

Outro fator destacado foi a escassez energética global contrastando com a capacidade excedente brasileira. Para empresas intensivas em energia ou que planejam expansão industrial, essa vantagem competitiva se torna ainda mais relevante.

Oportunidades operacionais concretas

Essa mal precificação do Brasil impacta diretamente quem administra empresas. Ativos desvalorizados criam janelas para consolidação setorial, aquisições estratégicas e parcerias internacionais mais vantajosas.

Companhias bem estruturadas operacionalmente podem aproveitar este momento para ganhar market share enquanto concorrentes hesitam. A democratização do mercado de capitais também abre novas alternativas de financiamento para projetos de expansão.

Na minha leitura, estamos diante de um momento único para empresários com visão de longo prazo. Enquanto o mercado precifica pessimismo excessivo, operações bem geridas encontram terreno fértil para crescimento acelerado.

A lição dos grandes investidores internacionais é clara: momentos de máximo pessimismo frequentemente coincidem com as melhores oportunidades. Para quem tem operação robusta e caixa, esta pode ser a janela para movimentos estratégicos que definirão os próximos anos.