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Fusão Toky: quando tecnologia não salva má estratégia

Grupo Toky vai à recuperação judicial com R$ 1,11 bi em dívidas. Análise de como falhas tecnológicas aceleraram o colapso pós-fusão.

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Fusão Toky: quando tecnologia não salva má estratégia

Segundo NeoFeed, o Grupo Toky protocolou pedido de recuperação judicial na Vara de Falências de São Paulo com dívidas de R$ 1,11 bilhão. O grupo, resultado da fusão entre Tok&Stok e Mobly em agosto de 2024, cita ambiente econômico desafiador e graves riscos de liquidez de curto prazo.

As ações despencaram 41,3% no dia do anúncio, acumulando queda de 79% no ano. A empresa está avaliada em apenas R$ 36,8 milhões, valor irrisório para um grupo que deveria dominar o e-commerce de móveis no Brasil.

O bloqueio que quebrou o fluxo

O estopim veio com o bloqueio de R$ 77 milhões em recebíveis de cartão pela SRM Bank. Para qualquer varejista digital, esse tipo de restrição é fatal. Os recebíveis são o oxigênio do fluxo de caixa, especialmente quando você opera com margens apertadas e ciclo de conversão longo como no setor moveleiro.

A empresa já vinha cambaleando desde a pandemia, quando lojas físicas viraram peso morto. A Tok&Stok reestruturou R$ 339 milhões em dívidas bancárias em 2023, mas as medidas se mostraram insuficientes. Um ano depois, precisou de recuperação extrajudicial. Cenário clássico: resolver sintoma sem atacar a causa raiz.

Fusão sem integração tecnológica

O momento da fusão foi questionável. Agosto de 2024, com a Tok&Stok já em recuperação extrajudicial e a Mobly enfrentando pressão competitiva do Mercado Livre e Amazon. A promessa eram sinergias operacionais e tecnológicas que nunca se materializaram.

Aqui mora o problema central: fusões no varejo digital falham quando você não integra sistemas, dados e processos rapidamente. Duas plataformas de e-commerce rodando em paralelo, estoques descoordenados, bases de clientes fragmentadas. Desperdiça recursos e confunde o mercado.

Lições para outros setores

Esse caso exemplifica três falhas recorrentes em M&A de empresas digitais:

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