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Fusão BH-EPA: como criar um gigante de R$ 35 bi em vendas
Supermercados BH compra DMA e forma grupo com 600 lojas. Operação mostra como consolidação bem executada escala receita rapidamente.
Especialista em operações comerciais e gestão de vendas
Segundo Exame, o Supermercados BH fechou acordo para comprar a DMA Distribuidora, dona das bandeiras EPA e Mineirão. Se aprovada pelo Cade, a operação criará um grupo com aproximadamente 600 lojas em quatro estados e faturamento combinado de R$ 35 bilhões.
Por que esta operação chama atenção
Os números impressionam. O BH faturou R$ 25,72 bilhões em 2025, ocupando a quarta posição nacional no setor. A DMA registrou R$ 9 bilhões, em 13º lugar. Juntas, saltam para uma das primeiras posições do país.
Mas o interessante está na geografia. A nova empresa domina Minas Gerais, onde o BH já lidera com folga, e expande presença no Espírito Santo, Bahia e Pernambuco. Em um mercado mineiro que movimenta R$ 80,6 bilhões entre as dez maiores redes, essa concentração será o ponto crítico da análise antitruste.
A estratégia por trás dos números
Pedro Lourenço construiu o BH seguindo uma lógica simples: crescer onde os concorrentes não estavam. Começou em 1996 com uma mercearia na periferia de Santa Luzia, focando classes C e D ignoradas pelas grandes redes.
A expansão veio comprando pequenas operações em cidades menores, acompanhando o aumento de renda da base da pirâmide. Resultado: mais de 400 lojas em cerca de 95 cidades.
Essa estratégia revela algo crucial sobre consolidação no varejo. Não basta somar receitas. É preciso identificar sinergias reais: cobertura geográfica complementar, eficiência logística, poder de negociação com fornecedores.
O momento da operação
A aquisição acontece em momento favorável. O varejo alimentar movimentou mais de R$ 1,1 trilhão em 2025, equivalente a 9% do PIB brasileiro. O setor está aquecido, mas isso também significa que ativos de qualidade estão mais caros.
Como avaliar operações similares:
- Complementaridade geográfica: as operações se sobrepõem ou se complementam?
- Sinergias operacionais: centrais de compra, logística, sistemas podem ser integrados?
- Base de clientes: os perfis são compatíveis com a est