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M&A de US$ 400 bi: o que a fusão AstraZeneca-BMS ensina

AstraZeneca e Bristol Myers Squibb negociam fusão que criaria gigante de US$ 400 bi. O que CEOs e fundadores podem aprender com essa operação de M&A.

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Segundo NeoFeed, a AstraZeneca está em conversas avançadas com a Bristol Myers Squibb para uma fusão que criaria uma das maiores farmacêuticas do mundo, avaliada em quase US$ 400 bilhões. A operação combinaria a AstraZeneca, avaliada em cerca de US$ 264 bilhões, com a BMS, que vale aproximadamente US$ 133 bilhões. A estrutura ainda não está fechada, mas deve misturar caixa e ações.

A reação do mercado foi imediata. As ações da AstraZeneca caíram mais de 7% na abertura da Bolsa de Londres na segunda-feira, 3 de agosto. A BMS, por outro lado, subiu mais de 4% no pré-mercado americano. Quem está vendendo e quem está comprando, o mercado já deixou claro.

O que a movimentação revela sobre os dois lados da mesa

As motivações de cada empresa explicam muito. A AstraZeneca, segunda empresa mais valiosa listada no Reino Unido, quer conquistar o mercado americano, de onde já vem quase metade da sua receita. O CEO Pascal Soriot fixou a meta de faturar US$ 80 bilhões até 2030, ante US$ 58,7 bilhões no último exercício. A companhia até fez uma listagem direta na Bolsa de Nova York neste ano para reforçar esse posicionamento.

A BMS carrega um problema diferente: a aquisição da Celgene por US$ 74 bilhões, em 2019, não entregou os retornos esperados. Agora, a empresa enfrenta perda relevante de receita com o vencimento de patentes de medicamentos-chave nos próximos anos. Quando o pipeline encolhe e o relógio da patente corre, a lógica de buscar um parceiro estratégico fica difícil de contestar.

Há ainda um detalhe que não pode passar despercebido: em 2014, foi o próprio Soriot quem rejeitou uma oferta hostil da Pfizer que avaliava a AstraZeneca em quase 70 bilhões de libras. Na época, ele argumentou que a empresa valeria mais de forma independente. Mais de dez anos depois, é ele quem conduz as tratativas para se unir a um rival americano. O mercado muda, e as convicções precisam mudar junto.

O obstáculo que pode travar tudo

O principal risco não é financeiro. É regulatório. As duas empresas têm divisões de oncologia robustas com sobreposição direta de produtos: o Imfinzi, da AstraZeneca, e o Opdivo, da BMS, competem no tratamento do câncer de pulmão. Órgãos antitruste nos EUA e na Europa vão examinar essa sobreposição com lupa. Fusões com conflito de portfólio nessa escala costumam exigir desinvestimentos como condição de aprovação, o que pode alterar significativamente o valor percebido do negócio.

Na minha leitura

Do ponto de vista de quem pensa em operações comerciais e estruturação de crescimento, o que essa movimentação evidencia é simples: empresas que não constroem vantagem competitiva suficiente para crescer de forma orgânica precisam encontrar no M&A o caminho para escala. A BMS é um exemplo claro disso. A empresa comprou a Celgene, não capturou o valor esperado e agora busca outro movimento para recompor a trajetória de crescimento.

Isso tem uma lição direta para fundadores e CEOs de empresas menores: o momento de negociar uma fusão ou venda raramente é o momento de desespero. A AstraZeneca ainda está em posição de força, com receita crescente e listagem em Nova York. Quem espera até o pipeline secar ou a patente vencer, negocia de joelhos. Quem se move antes, negocia com dignidade.