Economia
Fitch rebaixa perspectiva do Brasil de estável para negativa
Agência mantém rating BB-, mas cita deterioração fiscal e incertezas. Empresas devem revisar estratégias de captação e hedge cambial.
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Segundo o Valor Econômico, a Fitch Ratings rebaixou a perspectiva do Brasil de estável para negativa, mantendo o rating soberano em BB-. A decisão foi anunciada ontem e reflete preocupações com a deterioração das contas públicas e incertezas sobre o arcabouço fiscal.
A agência destacou que a dívida bruta do governo geral saltou para 78,4% do PIB em 2025, acima das projeções anteriores. O déficit primário permanece elevado, enquanto a credibilidade das regras fiscais enfrenta questionamentos crescentes do mercado.
Para executivos de empresas de médio e grande porte, essa mudança sinaliza um ambiente mais desafiador para captação de recursos externos. O rebaixamento da perspectiva costuma preceder cortes no rating, o que encareceria ainda mais o funding internacional para companhias brasileiras.
Na prática, empresas com operações no exterior ou planos de expansão internacional precisam acelerar suas estratégias de hedge cambial. O real tende a enfrentar pressão adicional, especialmente se investidores estrangeiros reduzirem exposição ao país.
Companhias dependentes de financiamento bancário também devem se preparar para spreads mais altos. Bancos brasileiros, que detêm volumes significativos de títulos públicos, podem apertar condições de crédito corporativo conforme aumenta a percepção de risco país.
O momento exige revisão imediata dos planos de captação. Empresas com necessidades de funding nos próximos 12 meses devem considerar antecipar operações antes de eventual rebaixamento do rating soberano, que tornaria o acesso ao mercado internacional ainda mais caro e restrito.