Estratégia Corporativa

Estratégia corporativa: quando o hype vira custo sem retorno

CEOs estão pagando por tecnologia que não entrega valor mensurável. O que isso revela sobre decisões de estratégia corporativa em 2026.

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Segundo o Brazil Journal, o CEO da Palantir, Alex Karp, declarou publicamente que empresas como OpenAI e Anthropic estão vendendo mais do que entregam. Em entrevista à CNBC, ele afirmou que executivos com quem trabalha estão frustrados: pagam por unidades de processamento que não geram retorno real sobre o investimento.

A crítica de Karp vai além de uma disputa entre concorrentes. Ela toca num problema estrutural que qualquer CFO deveria reconhecer: o custo de adotar uma tecnologia cresce à medida que ela fica mais potente, mas o valor gerado para o negócio não acompanha esse ritmo. Segundo ele, quanto mais avançados os modelos, maior o consumo de recursos computacionais e, consequentemente, maior a fatura. O cliente paga mais e não necessariamente recebe mais.

Há outro ponto que Karp levantou e que merece atenção de quem governa uma empresa: o armazenamento de dados pelos fornecedores. Na visão dele, ao contratar esses serviços, as empresas transferem para terceiros parâmetros e diferenciais competitivos que deveriam permanecer internos. Em suas palavras, esses fornecedores estariam capturando o "alfa" do negócio do cliente.

Esse argumento ressoa de forma particular para fundadores e gestores de empresas com vantagens competitivas baseadas em dados proprietários, modelos de precificação exclusivos ou processos operacionais diferenciados. Terceirizar o processamento dessas informações para plataformas externas sem clareza sobre onde e como os dados são armazenados é um risco de governança que poucos estão medindo com rigor.

Karp defendeu ferramentas de código aberto como alternativa mais segura e econômica para empresas e governos que querem manter controle sobre suas informações. Não é uma posição neutra, considerando que a Palantir compete diretamente nesse mercado, mas o argumento estrutural tem mérito independente de quem o faz.

O que isso muda na sua decisão de alocação de capital

A questão prática para CEOs e CFOs em 2026 não é se determinada tecnologia é promissora. É se o contrato assinado entrega retorno mensurável dentro de um horizonte de tempo razoável. Hype tem custo: licitações mal estruturadas, contratos sem cláusulas de desempenho e ausência de métricas de retorno são erros de estratégia corporativa, não de tecnologia.

O caso levantado por Karp ilustra um padrão recorrente: empresas compram a narrativa do fornecedor antes de construir seu próprio caso de uso. O resultado é um centro de custo que cresce sem que a liderança consiga justificar o gasto perante o conselho.

Na minha leitura, o que Karp está descrevendo é um problema clássico de governança de fornecedores, reembalado com vocabulário de tecnologia. Toda vez que uma empresa assina um contrato de serviço sem definir métricas claras de entrega, ela transfere poder de barganha para o fornecedor. Isso vale para consultoria, para software e para qualquer outra categoria de despesa relevante.

O sinal de alerta para qualquer liderança é simples: se você não consegue medir o retorno de uma linha de custo em termos operacionais ou financeiros concretos, provavelmente está financiando a margem do fornecedor, não o crescimento do seu negócio. Revisar esses contratos com a mesma disciplina aplicada a uma due diligence de M&A não é exagero. É gestão.