Estratégia Corporativa

Estratégia corporativa de R$ 13 bi no futebol brasileiro

Sports Media projeta crescimento do Brasileirão de R$ 2,9 bi para R$ 13 bi. O que essa estratégia corporativa revela sobre consolidação de ativos esportivos.

Capa: Estratégia corporativa de R$ 13 bi no futebol brasileiro

Segundo NeoFeed, a Sports Media, responsável pela gestão comercial da Futebol Forte União (FFU), bloco que reúne 33 clubes brasileiros, projeta que as receitas do Campeonato Brasileiro podem saltar de R$ 2,9 bilhões em 2025 para R$ 13 bilhões nos próximos anos. O principal motor desse crescimento seria a venda de direitos de transmissão, com potencial de gerar R$ 9 bilhões isoladamente, complementada por R$ 1 bilhão em receitas internacionais.

O gap que a empresa quer fechar é real e documentado. Dados compilados pelo Itaú BBA mostram que a Premier League fatura €1,97 bilhão (R$ 11,6 bilhões) apenas em direitos de transmissão. Bundesliga e LaLiga seguem com €1,11 bilhão e €990 milhões, respectivamente. O Brasileirão evoluiu de R$ 1,6 bilhão em 2019 para R$ 2,8 bilhões em 2024, progresso relevante, mas ainda distante do pelotão europeu.

A tese da Sports Media passa por três alavancas simultâneas:

  • Consolidação comercial: unificação dos blocos FFU e Libra em uma liga única, reduzindo fragmentação e aumentando poder de negociação com plataformas globais
  • Diversificação de receita: acordos com múltiplas plataformas de streaming e transmissão, reduzindo dependência de um único parceiro
  • Internacionalização: captura de receitas fora do Brasil, mercado ainda praticamente inexplorado pelo futebol nacional

Bruno Pimenta, diretor-geral da Sports Media, resume a lógica ao NeoFeed: "Nós já recuperamos uma parcela que estávamos deixando na mesa, mas foi só uma fração. Ainda existe um gap muito grande entre o que acontece aqui no Brasil e lá fora."

A criação de uma liga única entre FFU e Libra aparece como peça central do plano. Sem unificação, os direitos chegam ao mercado fragmentados, o que reduz o valor percebido pelo comprador e limita a entrada de gigantes globais de mídia, que preferem negociar ativos consolidados.


Na minha leitura, o que a Sports Media está executando é um clássico movimento de consolidação pré-monetização: agregar ativos fragmentados, padronizar o produto e só então ir ao mercado buscar múltiplos maiores. Qualquer CFO reconhece essa estrutura, seja em fusões industriais, seja em plataformas de SaaS que consolidam verticais antes do IPO.

O ponto de atenção para quem acompanha esse movimento como observador de M&A e estratégia corporativa é o risco de execução na consolidação. Reunir 33 clubes com interesses, históricos e capacidades financeiras distintos dentro de uma estrutura comercial unificada é, na prática, um processo de governança tão complexo quanto qualquer fusão de médio porte. A diferença é que aqui os "sócios" votam com paixão, não apenas com planilha.

Se a unificação se concretizar e os direitos internacionais forem bem precificados, R$ 13 bilhões deixa de ser projeção otimista e vira tese de negócio defensável. O Brasileirão tem audiência, tem história e tem escassez de produto, três atributos que qualquer investidor de mídia valoriza. O que falta é gestão profissional à altura do ativo.