Estratégia Corporativa
Embedded Finance: o que CEOs precisam entender agora
O app do banco perdeu protagonismo. Serviços financeiros migram para dentro de outras plataformas. O que isso muda na estratégia corporativa em 2026?
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Segundo o portal Startups, Bruno Loiola, co-fundador da Pluggy, participou da Money20/20 no Oriente Médio, em Riad, um dos maiores eventos de tecnologia financeira do mundo, com quase 40 mil participantes de 40 países. O tema que dominou as conversas quando identificavam um brasileiro: Pix e Open Finance. Com 80 bilhões de transações processadas em 2025 e mais de 100 milhões de clientes conectados via compartilhamento de dados, o Brasil virou referência global.
Mas o dado mais relevante não é esse.
O que chamou atenção em Riad foi um movimento silencioso que já está acontecendo: o aplicativo do banco perdeu o status de destino. O usuário não abre mais o app do banco porque quer. Ele acessa serviços financeiros de dentro de outras plataformas, sem perceber que está "no banco". Isso tem nome: Embedded Finance, a integração de serviços financeiros em plataformas não financeiras.
Para CEOs e CFOs, esse não é um assunto de tecnologia. É um assunto de modelo de negócio.
O que muda na prática para empresas
Quando serviços financeiros se incorporam a plataformas de varejo, logística, saúde ou educação, surgem duas consequências diretas para quem lidera uma empresa:
- Novas fontes de receita: empresas de setores não financeiros passam a capturar margem que antes ficava com bancos, seja via crédito embutido, seguros ou meios de pagamento próprios.
- Novos concorrentes invisíveis: uma plataforma de gestão que oferece antecipação de recebíveis começa a competir com seu banco de relacionamento sem que ninguém perceba a transição.
O Open Finance brasileiro acelerou esse movimento. Com dados de clientes fluindo entre instituições autorizadas, qualquer plataforma com relacionamento forte pode, agora, estruturar produtos financeiros relevantes sem ser banco.
Por que isso importa para quem pensa em M&A ou captação
Empresas que já incorporaram serviços financeiros ao seu core tendem a apresentar métricas de engajamento e retenção superiores às que dependem de produtos isolados. Isso se traduz em múltiplos de valuation mais altos em processos de fusões e aquisições, porque o comprador enxerga receita recorrente e menor churn.
Na outra ponta, empresas que ainda tratam a relação financeira como terceirizada, dependente de um único banco, ficam com menos alavancagem em negociações de crédito e menor controle sobre a experiência do cliente.
O movimento de M&A no setor financeiro em 2026 já reflete isso: fintechs de infraestrutura, as chamadas "Banking as a Service", estão entre os ativos mais disputados por grupos varejistas e de serviços.
Na minha leitura
O que a Money20/20 expôs não é tendência de nicho. É uma reconfiguração de onde o valor é capturado na cadeia financeira. O banco deixa de ser o ponto de chegada e passa a ser infraestrutura invisível. Quem captura a relação com o cliente captura a margem.
Para fundadores e CEOs de empresas de médio porte, a pergunta prática é direta: sua empresa tem um relacionamento financeiro com o cliente ou apenas usa um banco para processar pagamentos? A diferença entre essas duas respostas pode definir quem vai liderar e quem vai ser adquirido nos próximos três anos.
O Brasil tem o Open Finance mais avançado do mundo. A janela para construir sobre essa infraestrutura está aberta. Por quanto tempo, ninguém sabe.