Estratégia Corporativa

7 de Setembro e eleições 2026: o que muda para empresas

A 27 dias do primeiro turno, candidatos ocupam as ruas. O que CEOs e CFOs devem monitorar antes de outubro de 2026.

Capa: 7 de Setembro e eleições 2026: o que muda para empresas

Segundo a Exame, o 7 de Setembro de 2026 concentrou agendas políticas relevantes a menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. Flávio Bolsonaro (PL) convocou uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, com concentração às 15h. O presidente Lula participou do desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O governador Tarcísio de Freitas confirmou presença ao lado de Flávio na Paulista, em um ato que a campanha descreveu como demonstração de força do campo oposicionista.

A campanha de Flávio explorou temas de oposição ao governo federal e críticas ao STF, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes, contexto que ganhou mais tração após a divulgação de mensagens envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Augusto Cury (Avante), terceiro nas pesquisas mais recentes, teve agenda em Copacabana e participou de sabatina na Jovem Pan.

A escolha da Avenida Paulista por Flávio não é acidental. O local concentra o maior colégio eleitoral do país e foi palco das principais mobilizações da direita nos últimos anos. Para Tarcísio, que disputa a reeleição ao governo de São Paulo, o ato tem peso duplo: reforça alianças e posiciona o governador no campo conservador sem que ele precise abraçar todas as pautas do candidato do PL, já que adotou posição diferente de Flávio em relação a Moraes.

O que isso significa para quem toma decisões empresariais? Eleição presidencial com dois campos bem definidos, a 27 dias do primeiro turno, é sinal de que o ambiente regulatório, tributário e de política econômica ainda não está precificado. Empresas que planejam captações, processos de M&A ou decisões de investimento relevantes para 2027 precisam construir pelo menos dois cenários macroeconômicos distintos agora, antes de outubro.

A participação de Tarcísio no ato também importa para o setor empresarial. São Paulo concentra a maior parte das operações industriais, financeiras e de serviços do Brasil. A reeleição ou não do governador afeta diretamente o ambiente de negócios estadual, concessões, infraestrutura e relação com o setor privado.

Na minha leitura, o risco político de outubro de 2026 ainda está subestimado nos planos de negócio que vejo passar pela mesa. A polarização entre Lula e Flávio, com Tarcísio como figura de equilíbrio dentro do campo conservador, sugere que o resultado do primeiro turno pode não ser conclusivo. Um segundo turno competitivo prolonga a indefinição sobre política fiscal, reforma tributária em implementação e agenda de concessões, variáveis que afetam diretamente decisões de valuation e de momento para operações estruturadas.

Meu conselho prático: use as próximas quatro semanas para mapear, de forma explícita, quais decisões estratégicas do seu negócio dependem do resultado eleitoral e quais podem avançar independentemente. Quem separar essas duas pilhas agora vai reagir mais rápido em outubro, seja qual for o resultado das urnas.