Estratégia Corporativa
Eleição 2026: o que CEOs devem monitorar agora
Lula lidera com 48% contra 43% de Flávio Bolsonaro. Para quem toma decisões empresariais, entender o cenário político é parte da estratégia corporativa.
Especialista em operações comerciais e gestão de vendas
Segundo Exame, a pesquisa Datafolha publicada em 25 de julho mostra Lula com 48% das intenções de voto num eventual segundo turno, contra 43% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Uma diferença de cinco pontos que, na avaliação dos próprios aliados do presidente, não está garantida até outubro.
Lula chega à sua sétima candidatura presidencial aos 80 anos como favorito, mas a corrida está longe de ser tranquila. A convenção do PT, realizada em São Paulo no dia 2 de agosto com cerca de 3 mil participantes, consolidou o apoio da esquerda e da centro-esquerda ao presidente e deixou mais claras as duas apostas centrais da campanha: posicionar Lula como defensor da soberania nacional e ampliar a vantagem que já possui entre o eleitorado feminino.
Do lado oposto, a candidatura de Flávio enfrenta dificuldades para agregar grandes partidos do Centrão, o que a equipe de Lula interpreta como vantagem estrutural. A campanha também planeja explorar os vínculos de Flávio com Daniel Vorcaro e com Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, à medida que o debate sobre as famílias dos candidatos ganhar tração.
O principal foco de vulnerabilidade de Lula é Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência. A resposta da campanha até aqui foi a declaração pública do presidente de que o filho responderá caso seja condenado, o que aliados leem como uma vacina contra ataques, especialmente quando contrastado com a postura de Jair Bolsonaro diante das investigações que envolveram seus próprios filhos.
Para quem opera empresas, o que essa fotografia política significa na prática?
Um segundo turno disputado, com margem de cinco pontos e incertezas de ambos os lados, é o pior ambiente para decisões de longo prazo. Investimento em expansão, revisão de precificação, processos de M&A e qualquer movimentação que dependa de previsibilidade regulatória ou cambial entram num período de maior ruído até a definição do pleito.
Na minha leitura, o erro que mais vejo em operações comerciais nesse tipo de ciclo é o time de vendas aguardar o resultado eleitoral para retomar ritmo. Isso é custoso. O funil não para porque o país está em campanha. O que muda é o perfil de objeção do comprador: incerteza política vira justificativa para adiar decisão, especialmente em vendas de ticket alto e ciclo longo.
A gestão comercial inteligente antecipa esse movimento. Ela treina o time para reconhecer quando a objeção é genuína e quando é procrastinação com roupagem política. Ela também ajusta o discurso de valor para o curto prazo, priorizando o que o cliente ganha agora, independente do resultado de outubro. Empresas que mantêm cadência e consistência no funil durante períodos eleitorais saem na frente quando o mercado retoma confiança, porque não perderam pipeline enquanto a concorrência esperava a fumaça baixar.