Captação
Captação além do VC: o que a DOMO.VC revela ao mercado
A DOMO.VC lança FIDC de R$ 100 milhões e mira crédito empresarial para startups. O que essa mudança revela sobre o mercado de capital para empresas de tecnologi
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Segundo o portal Startups, a DOMO.VC está completando 10 anos com uma mudança de posicionamento relevante: a gestora, que nasceu como fundo de venture capital, lançou em junho de 2026 um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) de R$ 100 milhões e agora trabalha para se tornar uma plataforma de capital para tecnologia.
A frase dos fundadores resume bem a lógica por trás da jogada: "O banco tradicional trata a startup como uma padaria." Pouca flexibilidade, pouco entendimento do modelo de negócio, pouca tolerância ao perfil de crescimento dessas empresas. O FIDC entra exatamente nessa lacuna, com estrutura mais adaptável e originação feita por quem conhece o setor por dentro.
Essa é uma das características mais interessantes do movimento: a DOMO não está entrando no crédito como diversificação oportunista. Está usando o conhecimento acumulado em uma década de investimentos em startups para montar um produto financeiro que o mercado tradicional simplesmente não consegue entregar com a mesma qualidade. Quem entende o ciclo de caixa de uma empresa de tecnologia em crescimento acelerado sabe que os gatilhos de crédito convencional, faturamento histórico, garantias reais, balanço auditado de três anos, simplesmente não funcionam para esse perfil.
O que isso sinaliza para fundadores e CFOs
Três pontos merecem atenção de quem está estruturando captação de crédito empresarial para empresas de tecnologia:
- Estruturas alternativas de crédito, como FIDCs setoriais, estão se tornando uma opção real, não apenas teórica
- A especialização do credor importa: uma gestora que investiu em dezenas de startups avalia risco de forma diferente de um banco de varejo
- O conceito de "plataforma de capital" tende a ganhar espaço, reunindo equity, dívida e outros instrumentos sob a mesma estrutura
Para empresas em estágio de crescimento que ainda não acessam o mercado de capitais e já superaram a fase de seed, essa evolução abre uma janela relevante. O crédito estruturado via FIDC pode complementar rodadas de equity ou financiar expansão sem diluição adicional dos fundadores.
Na minha leitura...
O movimento da DOMO é menos sobre o produto em si e mais sobre o que ele revela: há uma demanda reprimida por crédito inteligente para empresas de tecnologia no Brasil, e o mercado tradicional ainda não soube atendê-la.
Para fundadores e CFOs que acompanham o setor de M&A, essa tendência também tem implicações indiretas. Empresas de tecnologia com acesso a estruturas de crédito mais sofisticadas conseguem crescer com menos diluição e chegam a um eventual processo de venda de empresas ou de captação de investimento com um valuation mais sólido e uma base acionária mais limpa. Crédito bem estruturado não é o oposto de equity: é o que permite chegar à mesa de negociação em melhores condições.