Estratégia Corporativa
Desenrola corporativo: alívio temporário ou estratégia sustentável?
XP avalia que novo programa reduz inadimplência no curto prazo, mas não resolve problemas estruturais. CEOs precisam repensar gestão de caixa.
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Segundo InfoMoney, a XP divulgou análise sobre o novo programa Desenrola mostrando redução da inadimplência e endividamento no curto prazo, mas alertando que se trata de "alívio, não solução" para os problemas estruturais da economia brasileira.
O que mudou no cenário de crédito
A casa de análise aponta que o programa conseguiu diminuir os índices de calote em segmentos específicos, principalmente entre pessoas físicas com dívidas bancárias. Essa melhora temporária no ambiente de crédito cria uma janela de oportunidade interessante para empresas que dependem do consumo interno.
Para CEOs de empresas B2C, isso significa respirar um pouco. Clientes com menos dívidas tendem a consumir mais, especialmente em categorias não essenciais que foram cortadas durante períodos de aperto financeiro.
Por que é apenas paliativo
A XP reforça que os fundamentos macroeconômicos continuam desafiadores. Taxa básica de juros elevada, inflação persistente e crescimento econômico baixo não se resolvem com renegociação de dívidas.
Essa dinâmica cria um dilema para gestores corporativos: como aproveitar o alívio temporário sem criar dependência de um cenário que pode se reverter rapidamente?
Impactos setoriais desiguais
Empresas de varejo, educação e serviços financeiros tendem a sentir os efeitos positivos mais rapidamente. Já setores industriais ou B2B podem não perceber mudanças significativas, uma vez que suas demandas dependem mais de investimento produtivo do que de consumo das famílias.
CFOs precisam ajustar projeções de fluxo de caixa considerando essa melhora pontual, mas sem extrapolar os benefícios para horizontes longos.
Oportunidades de posicionamento
Empresas com caixa sólido podem usar este momento para ganhar participação de mercado. Concorrentes alavancados ou dependentes de crédito barato ainda enfrentam pressões operacionais significativas.
Quem conseguir investir em capacidade, tecnologia ou expansão durante essa janela pode sair fortalecido quando a situação macroeconômica se normalizar.
Na minha leitura como estrategista
Vejo o Desenrola como um termômetro do pragmatismo necessário em 2026. Governos fazem o que conseguem, empresários precisam trabalhar com a realidade disponível.
A questão central não é se o programa resolve tudo, mas como usá-lo taticamente. Empresas que construírem resiliência operacional durante este alívio estarão melhor posicionadas para o próximo ciclo de aperto. Aquelas que tratarem isso como volta ao "business as usual" podem se decepcionar rapidamente.
O mercado de M&A, inclusive, pode aquecer temporariamente com essa melhora dos múltiplos de consumo. Mas compradores espertos vão olhar além dos números de curto prazo.