Estratégia Corporativa
Crise EntrePay expõe riscos sistêmicos no mercado de FIDCs
Liquidação da EntrePay pelo BC contamina R$ 500 mi em FIDCs, suspendendo resgates e evidenciando falhas na gestão de risco de crédito.
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Segundo NeoFeed, a liquidação extrajudicial da EntrePay pelo Banco Central está gerando um efeito dominó no mercado de Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs), com impactos que todo CEO e CFO precisa monitorar de perto.
O Cenário de Contágio
Três fundos com patrimônio superior a R$ 500 milhões já reportaram exposição aos recebíveis do Grupo Entre. O maior deles, o Garson FIDC, administrado pela Hemera e gerido pela M8 Partners, possui R$ 313 milhões em patrimônio líquido e chegou a suspender a valorização de ativos vinculados à EntrePay.
A situação se agravou com dois fundos específicos: o Garson Card, que tinha a EntrePay como única cedente, suspendeu completamente os resgates e paralisou novas aquisições. O Redwood CC seguiu o mesmo caminho, com o BTG Pactual interrompendo os repasses enquanto aguarda orientações do liquidante.
Dimensão do Problema
Os números revelam a magnitude do risco sistêmico: a EntrePay processava R$ 12,8 bilhões em pagamentos em 2024 antes da liquidação em março. O grupo, controlado por Antonio Carlos Freixo Júnior, foi investigado pela PF por ligações com fraudes e lavagem de dinheiro no banco Master.
Para líderes empresariais, este caso exemplifica como a concentração de risco pode destruir valor rapidamente. O Garson Card, ao depender exclusivamente da EntrePay como cedente, violou princípios básicos de diversificação que qualquer estratégia de tesouraria corporativa deve observar.
Implicações Operacionais
A suspensão de resgates em fundos deste porte sinaliza problemas de liquidez que podem afetar empresas com aplicações em FIDCs. CFOs devem revisar imediatamente suas carteiras de investimentos, verificando exposição direta ou indireta a recebíveis de grupos em dificuldade.
Na minha leitura, este episódio expõe três falhas críticas na gestão de risco: concentração excessiva em um único cedente, due diligence insuficiente sobre a qualidade creditícia dos originadores, e mecanismos inadequados de moni