Estratégia Corporativa

COEs em queda: o que a desaceleração significa para empresários

Mercado de COEs recua 21% em 2026 após caso Ambipar. Empresários precisam repensar estratégias de captação e gestão de tesouraria corporativa.

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COEs perdem força: sinais de mudança no mercado financeiro corporativo

Segundo NeoFeed, o mercado de Certificados de Operações Estruturadas (COEs) registrou queda de 21,4% nas emissões nos primeiros cinco meses de 2026, totalizando R$ 14,2 bilhões contra o mesmo período de 2025. Para quem comanda empresas, esse movimento representa mais do que números: sinaliza uma mudança no apetite por produtos estruturados que pode afetar tanto estratégias de tesouraria quanto operações de captação.

O efeito dominó do caso Ambipar

O episódio Ambipar funcionou como um divisor de águas. Investidores que acreditavam ter capital protegido descobriram que COEs de crédito carregam risco real de perda. "Muita gente achava que tinha capital protegido, mas, no COE de crédito, o investidor está comprando risco de crédito", explica Rodrigo Franchini, da Monte Bravo, ao NeoFeed.

Para empresários, isso significa duas coisas importantes. Primeiro, o mercado está mais cauteloso com produtos que parecem seguros mas carregam riscos ocultos. Segundo, a percepção de risco mudou, e isso afeta tanto quem busca captar recursos quanto quem precisa aplicar excesso de caixa.

Novas regras apertam o cerco

A Anbima publicou regras mais rígidas para classificação de risco em maio de 2025, meses antes da crise se agravar. As plataformas responderam com travas mais severas: perfil de risco, idade, prazo da estrutura e percentual máximo de exposição passaram a ser criterios obrigatórios.

Essa mudança regulatória cria um ambiente mais restritivo para produtos estruturados em geral. Empresas que dependem de instrumentos financeiros sofisticados para otimizar tesouraria ou estruturar operações precisam se adaptar a um cenário de maior escrutínio.

Juros altos complicam a equação

Com a Selic em patamares elevados, produtos de renda fixa tradicionais voltaram a competir diretamente com estruturados. O varejo, que impulsionou o crescimento dos COEs (710 mil contas ativas, mais que o dobro de 2021), agora tem alternativas mais simples e transparentes.

Para gestores financeiros corporativos, isso significa recalibrar estratégias de aplicação. O que antes justificava a complexidade adicional dos COEs agora pode ser obtido com instrumentos mais diretos.

Na minha leitura como operador

Essa desaceleração reflete um amadurecimento natural do mercado. Produtos complexos sempre passam por ciclos de euforia e correção. O que vejo é uma oportunidade para empresas revisarem suas estratégias de tesouraria com critérios mais rigorosos.

Para quem estrutura operações comerciais, como eu, isso ensina que transparência sempre vence complexidade desnecessária. O mercado está mandando um recado claro: prefere produtos que entende a produtos que prometem milagres.