Estratégia Corporativa
Como o cenário eleitoral impacta suas decisões de capital
Mercado precifica risco eleitoral via curva de juros longa. Disciplina fiscal será determinante para custo de capital empresarial em 2026.
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Segundo Exame, o mercado brasileiro já demonstra sinais de precificação do risco eleitoral, especialmente através da curva de juros nos vencimentos longos, com implicações diretas para o custo de capital das empresas.
O Termômetro do Risco Empresarial
Como estrategista corporativo, observo que a curva de juros longa funciona como o primeiro indicador de como o mercado enxerga o futuro ambiente de negócios. Luciano Telo, CIO do UBS Wealth Management, confirma essa dinâmica: "A curva de juros, especialmente nos vencimentos longos, é onde o risco eleitoral aparece primeiro. Quando o mercado percebe maior risco fiscal futuro, as taxas longas sobem".
Atualmente, a taxa de juros para 2032 (DI futuro) está em 13,50%, enquanto as projeções do mercado para a Selic em 2026 subiram de 12% para 12,50% desde o início do ano, segundo o Boletim Focus.
Impacto na Estratégia de Financiamento
Para CEOs e CFOs planejando expansões, aquisições ou refinanciamentos, essa dinâmica é crucial. Marco Mecchi, diretor de investimentos da Azimut Brasil Wealth Management, explica o mecanismo: "Caso o governo eleito não seja disciplinado fiscalmente, o câmbio acaba pressionado, as taxas de juros longas sobem e isso acarreta prejuízo nos preços das ações".
O inverso também vale: disciplina fiscal reduz prêmios de risco de longo prazo, barateia o custo de capital e beneficia valuations de empresas, especialmente aquelas com maior componente de crescimento futuro.
Contexto Global vs. Risco Doméstico
Importante notar que Mecchi destaca que "o componente eleitoral começa a ganhar relevância, mas ainda não é o principal driver das taxas". O choque geopolítico envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevou preços de energia e pressionou inflação globalmente, impactando também o Brasil.
Implicações Estratégicas
Para empresas com dívida de longo prazo ou planos de captação, o cenário sugere cautela no timing de operações. Companies com exposição cambial precisam monitorar de pert