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Braskem: o que a crise de US$ 10,9 bi ensina sobre M&A

IG4 e Petrobras recusam novos aportes na Braskem. O que esse impasse de US$ 10,9 bi revela sobre governança e processos de M&A sob pressão.

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Segundo o NeoFeed, os dois principais controladores da Braskem, a IG4 Capital e a Petrobras, recusam colocar dinheiro novo na petroquímica enquanto ela tenta reestruturar US$ 10,9 bilhões em dívidas via recuperação extrajudicial. A posição fecha uma porta importante: credores como Elliott Investment Management e Contrarian Capital Management exigem exatamente esse compromisso, na ordem de US$ 3 bilhões em capital novo, como condição para avançar nas negociações.

O impasse é cirúrgico. A própria Braskem havia pedido aos credores US$ 2 bilhões, sendo US$ 1,25 bilhão para recomprar dívida existente a até 50% do valor de face e US$ 750 milhões para reforço operacional. Os credores inverteram a lógica: querem que os acionistas entrem primeiro, e com mais. Nenhum dos dois lados pisca.

A Petrobras deixou clara sua posição durante a Rio Oil & Gas. A presidente Magda Chambriard afirmou que a estatal não pretende ultrapassar 50% das ações com direito a voto da Braskem e que, por isso, qualquer aporte dependeria da participação proporcional dos demais sócios. A IG4, de acordo com o NeoFeed, simplesmente não está disposta a colocar mais recursos.

Enquanto isso, o processo judicial complica o quadro operacional. Credores conseguiram suspender novos aportes e transferências à Braskem Idesa, subsidiária mexicana em Chapter 11. Outra decisão determinou que o quórum da recuperação extrajudicial seja apurado por empresa do grupo, o que deixou duas subsidiárias abaixo do mínimo legal e, portanto, expostas a cobranças e execuções. A Braskem recorreu, mas o tempo joga contra ela: o plano precisa atingir adesão superior a 50% dos créditos até o fim de novembro. Hoje está em 39,6%.

Na minha leitura

O que esse caso expõe, antes de qualquer debate financeiro, é uma falha de alinhamento entre sócios em momento crítico. Quando um processo de reestruturação chega ao ponto em que nenhum controlador aceita liderar o esforço de capitalização, o sinal para o mercado é claro: ninguém acredita o suficiente na tese para colocar dinheiro próprio em risco.

Para quem acompanha processos de M&A e reestruturação, esse padrão aparece com frequência em negociações onde a estrutura de governança não foi desenhada para cenários adversos. A ausência de um protocolo claro sobre quem lidera em situações de crise transforma sócios em adversários exatamente quando precisariam ser aliados.

O desfecho da Braskem vai depender menos de habilidade financeira e mais de quem cede primeiro na mesa de negociação. Para CEOs e fundadores que observam esse processo de fora, a lição prática é anterior a qualquer crise: acordos de acionistas robustos, com regras claras para situações de aporte emergencial, não são burocracia. São o que separa uma reestruturação gerenciada de um impasse público.