Estratégia Corporativa

Bradesco, ROE e o que IA revela nos balanços bancários

O Bradesco registrou ROE de 16,2% e lucro de R$ 7,1 bi. Veja o que dados bancários como esses revelam quando lidos com inteligência artificial.

Capa: Bradesco, ROE e o que IA revela nos balanços bancários

Segundo o Brazil Journal, o Bradesco encerrou mais um trimestre de resultados consistentes: lucro de R$ 7,1 bilhões, alta de 16,2% na comparação anual e de 3,5% no sequencial. O ROE chegou a 16,2%, ante 14,6% um ano atrás. A carteira de crédito cresceu 11,6% no ano e 4,3% no trimestre, superando inclusive o guidance interno, que projetava expansão entre 8,5% e 10,5% para 2026.

O que chama atenção não é apenas o número em si, mas o que está por trás dele. O banco adotou um mix de crédito mais conservador, priorizando operações com garantias. Crédito colateralizado cresce mais rápido que o restante da carteira. As despesas subiram abaixo da inflação em 12 meses. A inadimplência ficou sob controle mesmo com o ambiente macroeconômico mais adverso.

Esses padrões, isolados, qualquer analista identifica. O problema é que a maioria das empresas não processa esses sinais em tempo real.

O que IA tem a ver com um balanço bancário

Modelos de linguagem e sistemas de machine learning já são usados por grandes instituições para monitorar exatamente esse tipo de variável: composição de carteira, tendência de inadimplência, velocidade de crescimento por segmento e desvio em relação ao guidance. O Bradesco não divulgou qual tecnologia sustenta seu processo de decisão de crédito, mas o padrão do resultado, crédito crescendo com qualidade e despesas controladas, é consistente com operações que utilizam modelos preditivos robustos na concessão e no monitoramento.

Para CEOs e CFOs de empresas que se relacionam com bancos, seja como tomadores de crédito, parceiros ou fornecedores, essa leitura importa de forma prática:

  • Bancos com ROE crescente e carteira colateralizada tendem a manter apetite por operações estruturadas, mas ficam mais seletivos com risco não garantido.
  • O CEO Marcelo Noronha sinalizou que a expansão da carteira deve convergir para o teto superior do guidance até dezembro. Isso indica janela de crédito ainda aberta, mas com critérios mais rígidos de colateral.
  • Despesas crescendo abaixo da inflação sugerem que o banco está usando automação e eficiência operacional para sustentar margem, não apenas crescimento de receita.

Na minha leitura

O resultado do Bradesco é um dado de mercado, mas também é um sinal de como instituições financeiras grandes estão usando dados para tomar decisões melhores e mais rápidas. A carteira cresceu acima do guidance sem deterioração de qualidade. Isso não acontece por acaso: acontece quando os modelos de risco conseguem distinguir, em escala, qual crédito vale o apetite e qual não vale.

Empresas que ainda tomam decisões de crédito, precificação ou gestão de inadimplência com base em planilhas e intuição estão operando com uma defasagem real em relação a quem já integrou IA nesses processos. O gap não é tecnológico. É de velocidade e qualidade de decisão.

O balanço do Bradesco é público. O que cada empresa faz com essa informação, e com os próprios dados internos, é onde a vantagem competitiva começa a se formar.