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Bradesco encerra joint venture da Tivio após perder R$ 10 bi

Banco comprou 49% do BV na gestora que encolheu de R$ 42 bi para R$ 32 bi em ativos. Comando compartilhado criou atritos e competição interna.

Capa: Bradesco encerra joint venture da Tivio após perder R$ 10 bi

Segundo NeoFeed, o Bradesco adquiriu os 49% restantes da Tivio Capital que pertenciam ao Banco BV, encerrando uma joint venture que começou com grandes ambições em agosto de 2022, mas não entregou os resultados esperados.

Os números revelam o fracasso da estratégia

Quando foi criada, a Tivio Capital tinha R$ 42 bilhões sob gestão. Hoje, esse valor encolheu para R$ 32 bilhões, uma redução de R$ 10 bilhões que expõe as dificuldades operacionais da parceria. O banco queria replicar o sucesso da Kinea do Itaú, que hoje gerencia R$ 150 bilhões, mas esbarrou em problemas estruturais que muitos executivos conhecem bem.

Por que comando compartilhado raramente funciona

Fontes próximas à operação relatam atritos de visão entre Bradesco e BV. O problema central? Base de clientes incompatível com o produto oferecido. A clientela do Bradesco ainda está muito focada em renda fixa tradicional, enquanto a Tivio nasceu para ativos alternativos. Isso criou um gap de distribuição que nunca foi resolvido.

Mais grave: as duas instituições acabaram competindo no mesmo mercado sem as mesmas condições. A gestora própria do Bradesco navegou melhor o ciclo de crédito privado e atraiu capital que poderia ter ido para a Tivio. Na prática, o banco criou um concorrente interno para seu próprio investimento.

A pivotada que não salvou o negócio

A gestora tentou se reinventar saindo de multimercado e renda fixa para focar em alternativos. Mesmo assim, metade do patrimônio ainda permanece alocada em renda fixa. Essa transição incompleta mostra que pivotar estratégia em gestão de recursos exige mais do que mudança de discurso, precisa de reestruturação completa da operação.

Enquanto isso, concorrentes como Patria e Vinci se fortaleceram no mercado de investimentos alternativos, capturando market share que a Tivio poderia ter conquistado.

O que vem agora

Com Rodrigo Freire mantido como CEO, a Tivio continuará independente, focada em investidores institucionais e alta renda. O Bra