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Biomm planeja crescimento de 3.000% no Ebitda após M&A com Alaska

Farmacêutica brasileira projeta Ebitda de R$ 90-100 milhões em 2026 após mudança societária. Lições operacionais para CEOs.

Capa: Biomm planeja crescimento de 3.000% no Ebitda após M&A com Alaska

Como uma mudança societária pode turbinar resultados operacionais

Segundo NeoFeed, a farmacêutica Biomm acaba de divulgar um guidance que faria qualquer CEO repensar suas estratégias de crescimento: Ebitda projetado entre R$ 90 milhões e R$ 100 milhões para 2026, um salto de 3.000% sobre os R$ 3,3 milhões de 2025.

O movimento acontece dois meses após a empresa se desvincular do escândalo do Banco Master, com a gestora Alaska assumindo participações que estavam com o Fundo Cartago e BRB. A companhia também trocou de CEO em janeiro, sinalizando uma reestruturação completa da gestão.

O motor do crescimento operacional

A projeção da Biomm se baseia em três pilares operacionais concretos:

  • Ramp-up da fábrica de Nova Lima: inaugurada em 2024, a unidade está acelerando produção
  • Parcerias estratégicas consolidadas: contratos vigentes com Biomanguinhos/Fiocruz para glargina e com Funed para insulina humana
  • Expansão no mercado privado: planos de crescer a marca Glargilin além do setor público

O primeiro trimestre de 2026 já mostrou sinais dessa virada, com receita líquida de R$ 92,4 milhões, revertendo prejuízos do ano anterior. A empresa também mira o mercado de canetas emagrecedoras através de contrato com a indiana Biocon.

desempenho em números

Os dados revelam uma transformação operacional significativa. Em 2024, a Biomm registrou Ebitda negativo de R$ 69,3 milhões. No ano passado, conseguiu seu primeiro resultado positivo na história: R$ 3,3 milhões. Agora projeta multiplicar esse resultado por 30 em apenas 12 meses.

O valor de mercado atual da companhia é de R$ 917 milhões, mesmo com as ações acumulando queda de 5,6% em 2026 e 25% em 12 meses.

Lições para gestores

Na minha leitura como diretor de operações, este caso ilustra três princípios fundamentais para quem busca escalar resultados rapidamente.

Primeiro, momento de capacidade instalada. A Biomm investiu em infraestrutura (fábrica de Nova Lima) antes de ter demanda garantida, apostando no ramp-up futuro. Essa é uma jogada arriscada que exige capital paciente, mas pode gerar saltos exponenciais quando a demanda se materializa.

Segundo, parcerias como alavanca operacional. Os contratos com Biomanguinhos e Funed garantem volume previsível, criando base sólida para projeções agressivas. Para CEOs, isso reforça a importância de diversificar entre mercado público e privado, especialmente em setores regulados como farmacêutico.

Terceiro, reestruturação societária como catalisador. A saída do Banco Master e entrada da Alaska coincidiu com a troca de CEO e melhoria dos resultados. Mudanças no quadro societário podem destravar potencial operacional que estava represado por questões de governança ou alinhamento estratégico.