Estratégia Corporativa

Big techs lideram nova fase? O que isso muda na estratégia corporativa

Sócio da IP Capital Partners vê big techs prontas para liderar novo ciclo sem risco de bolha. O que isso significa para sua estratégia corporativa em 2026.

Capa: Big techs lideram nova fase? O que isso muda na estratégia corporativa

Segundo o NeoFeed, Gabriel Raoni, sócio da IP Capital Partners, afirmou que as big techs estão preparadas para liderar a próxima fase do mercado, sem os sinais de exuberância irracional que caracterizam bolhas especulativas. A declaração foi feita no episódio 140 do podcast Café com Investidor.

A leitura de Raoni tem peso. A IP Capital Partners é uma das gestoras independentes mais respeitadas do Brasil, com histórico consistente de análise fundamentalista. Quando um sócio dessa casa diz que não vê bolha nas big techs, está dizendo algo sobre fluxo de caixa, múltiplos e capacidade de geração de valor, não sobre narrativa de mercado.

Para CEOs e CFOs que tomam decisões de alocação de capital, isso tem implicações diretas.

O que a visão de mercado de Raoni sinaliza para empresas brasileiras

Quando gestores de longo prazo descartam o risco de bolha em ativos globais de referência, o sinal é de estabilidade no ambiente de capitais. Ambientes estáveis favorecem transações. Fusões, aquisições e captações tendem a avançar com mais velocidade quando o humor dos investidores institucionais está calibrado, sem o excesso de cautela que acompanha períodos de instabilidade.

Para empresas brasileiras de médio e grande porte, isso importa por dois motivos:

  • Custo de capital externo: investidores globais com apetite por risco tendem a olhar para mercados emergentes com mais disposição, o que pode reduzir o custo de captação para empresas com governança sólida e tese de crescimento clara.
  • Valutação de comparáveis: múltiplos das big techs influenciam o piso de valuation em setores de tecnologia, serviços digitais e plataformas no Brasil. Se os múltiplos globais se sustentam, o argumento do comprador para comprimir preço em transações locais perde força.

Isso não significa que qualquer empresa vai captar melhor ou vender por mais. Significa que o ambiente externo, por ora, não é o obstáculo.

O risco que continua sendo interno

A estabilidade do ambiente macroeconômico global não resolve os problemas de dentro de casa. Empresas com valuation mal construído, governança precária ou tese de crescimento vaga continuam vulneráveis, independentemente do humor das bolsas lá fora.

O que muda com um cenário externo favorável é a janela de oportunidade. Janelas se fecham. Fundadores e conselheiros que precisam de liquidez, captação ou uma transação de M&A têm, agora, um contexto mais favorável do que teriam em um ciclo de aversão a risco global.

A pergunta certa não é "o mercado está bom?". É: "minha empresa está preparada para aproveitar quando o mercado está bom?"

Na minha leitura

A visão de Raoni confirma o que venho observando nas conversas com investidores e compradores estratégicos: o capital está disponível, mas está exigente. Não há escassez de liquidez, há escassez de ativos bem preparados para recebê-la.

Empresas que chegam a uma negociação com due diligence organizada, projeções defensáveis e uma narrativa de crescimento coerente capturam esse ambiente favorável. As que chegam despreparadas perdem no preço ou perdem a transação.

O ciclo favorável não espera. E preparar uma empresa para uma transação ou captação leva, na média, entre 6 e 18 meses de trabalho estruturado.