Estratégia Corporativa

Beach tennis: o mercado sem dono que espera M&A

Brasil lidera o beach tennis mundial com 180 torneios internacionais em 2025, mas o setor ainda não gerou negócios de escala. O que isso diz sobre oportunidades

Capa: Beach tennis: o mercado sem dono que espera M&A

Segundo Brazil Journal, o Brasil se tornou o maior polo mundial de beach tennis sem que nenhuma empresa tenha, de fato, construído um negócio de escala a partir disso. Em 2025, o país sediou 180 torneios internacionais da modalidade, mais do que qualquer outro no mundo, de acordo com dados da Federação Paulista de Tênis baseados no calendário da ITF. A Itália, que inventou o esporte, ficou atrás. O estado de São Paulo sozinho organizou 49 torneios contra 45 dos Estados Unidos inteiros.

São Paulo não tem praia. Tem estacionamentos convertidos, rooftops entre torres corporativas e lajes ocupadas antes das 7h da manhã. O Rio tem a orla. Juntos, os dois estados concentram uma demanda real, recorrente e crescente por um produto que ainda não encontrou seu consolidador.

O padrão não é novo. O futevôlei domina praias brasileiras há décadas e ainda tenta transformar audiência em receita previsível. O futebol de areia formou campeões mundiais e nunca gerou uma liga comercial robusta. O Brasil tem um talento histórico para criar mercados esportivos na informalidade e uma dificuldade igualmente histórica para profissionalizar a captura de valor.

O que isso significa para quem toma decisões empresariais? Um mercado que cresce organicamente, sem coordenação central, é ao mesmo tempo uma oportunidade e um sinal de alerta. A ausência de um consolidador dominante indica que as margens ainda estão pulverizadas entre operadores pequenos: academias independentes, fabricantes de raquetes sem distribuição nacional, organizadores de torneios sem modelo de receita recorrente.

Do ponto de vista de operações comerciais, mercados assim têm uma característica específica: a demanda já foi validada pelo próprio consumidor, sem investimento de marketing de nenhum participantes relevante. Isso reduz o risco de entrada, mas não elimina o desafio de estruturar uma operação que converta essa demanda difusa em funil previsível.

A pergunta certa não é "existe mercado?". Existe. A pergunta é quem vai construir a infraestrutura comercial que transforma praticantes ocasionais em clientes recorrentes, torneios locais em propriedades com patrocínio, e espaços improvisados em ativos com contratos de longo prazo.

Na minha leitura, o beach tennis é um caso clássico de mercado pré-consolidação: alto volume de transações pequenas, baixa fidelização estruturada e nenhuma marca nacional com recall relevante fora do universo dos praticantes. Para uma operação comercial bem construída, isso representa um funil enorme no topo e quase nada no meio e no fundo. O trabalho de quem entrar primeiro não será de geração de demanda, mas de captura e conversão do que já está acontecendo.

Mercados assim costumam ter uma janela. Quando o primeiro participantes estrutura a operação, os demais correm para imitar. Quem chega depois disputa margem, não pioneirismo.