Estratégia Corporativa
Axia vende R$ 451,5 mi em ativos: lições de portfólio enxuto
Ex-Eletrobras acelera desinvestimentos e já soma R$ 1,4 bi vendido em 2026. Estratégia de simplificação oferece insights para CEOs repensarem seus portfolios.
Especialista em operações comerciais e gestão de vendas
Por que a estratégia da Axia deveria estar no radar de todo CEO
Segundo NeoFeed, a Axia Energia fechou mais uma operação de desinvestimento, vendendo participações em quatro ativos de transmissão por R$ 451,5 milhões para a colombiana GEB. Os números impressionam: são mais de mil quilômetros de linhas de transmissão espalhadas por seis estados, com receita projetada de R$ 218 milhões para 2027.
Mas o que realmente chama atenção não é o tamanho da transação. É a disciplina cirúrgica com que a ex-Eletrobras tem executado sua estratégia de simplificação desde a privatização em 2022.
A matemática é clara: só em 2026, a companhia já realizou desinvestimentos que somam mais de R$ 1,4 bilhão. No ano passado, foram mais R$ 1,01 bilhão com as vendas da Emae (R$ 476 milhões para a Sabesp) e da Eletronuclear (R$ 535 milhões para a J&F). Some isso ao acordo de R$ 1,17 bilhão em dinheiro com a ISA Energia no início deste ano.
O que poucos percebem sobre participações minoritárias
A Axia está atacando um problema que assombra muitas empresas: participações minoritárias que consomem tempo de gestão sem gerar valor proporcional. No caso específico, eram 49% em quatro SPEs que, por mais rentáveis que sejam individualmente, não se alinhavam ao foco estratégico da companhia.
Essa abordagem vai além do óbvio "vender o que não serve". A empresa está transformando ativos ilíquidos em caixa para reinvestir onde tem controle total. Os R$ 14 bilhões planejados para modernização de equipamentos em 2026 mostram para onde esse dinheiro está indo.
Três lições práticas para sua empresa
Primeiro, audit seu portfólio sem piedade. Quantos ativos, participações ou unidades de negócio você mantém por inércia? A Axia provou que mesmo ativos rentáveis podem ser candidatos à venda se não fizerem parte do core business.
Segundo, momento de venda importa. A empresa aproveitou um momento favorável do mercado de transmissão e o apetite de participantes internacionais como a GEB, que está expandindo no Brasil desde 2015. Mercados aquecidos não duram para sempre.
Terceiro, use o caixa estrategicamente. Não adianta vender por vender. A Axia tem um plano claro: modernização de equipamentos e consolidação em suas competências centrais.
Na minha leitura operacional
O movimento da Axia é um manual de como executar uma estratégia de portfólio sem criar trauma organizacional. Eles não estão cortando na carne, estão removendo distrações.
Para CEOs e CFOs, a mensagem é direta: participações minoritárias podem ser armadilhas de valor. Consomem energia de gestão, diluem foco estratégico e, muitas vezes, não oferecem o retorno que justifique a complexidade operacional. A disciplina da Axia em transformar esses ativos em caixa e reinvestir no negócio principal deveria inspirar qualquer líder que busca crescimento sustentável.