Estratégia Corporativa

Apagão de R$ 37 bi em FIDCs expõe risco operacional crítico

Atrasos recordes na divulgação de informes mensais de FIDCs criam zona de sombra de R$ 37 bilhões, alertando para riscos operacionais em estruturas corporativas

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Apagão de R$ 37 bi em FIDCs expõe risco operacional crítico

Segundo NeoFeed, o mercado de FIDCs enfrenta um "apagão" informacional sem precedentes. R$ 37 bilhões em patrimônio ficaram sem transparência após 76 fundos atrasarem a divulgação de informes mensais de fevereiro. O prazo venceu em 15 de março, mas até 10 de abril os dados permaneciam em aberto.

Magnitude revela fragilidade sistêmica

Os números chamam atenção pela escala. R$ 37 bilhões representam 5% de toda a indústria de FIDCs e equivalem a metade da captação líquida de 2025. Alfredo Marrucho, sócio da Uqbar responsável pelo levantamento, acompanha o setor há mais de 10 anos e classifica a situação como inédita.

"Era cerca de 1% da indústria no início de 2025", comparou Marrucho sobre os atrasos históricos. A diferença para os atuais 5% evidencia deterioração acelerada dos controles operacionais.

A Reag, administradora em liquidação pelo Banco Central, concentra a maior parte dos atrasos. Problemas operacionais da gestora criaram efeito cascata: fundos que investem em outros FIDCs ficaram sem base para precificação.

Impacto direto na gestão de risco corporativo

Para CEOs e CFOs, essa situação expõe vulnerabilidades críticas. FIDCs são instrumentos centrais para empresas que securitizam recebíveis ou buscam financiamento via cessão de créditos. Sem informes mensais, fica impossível acompanhar inadimplência, patrimônio e qualidade dos ativos.

Investidores institucionais já demonstram preocupação com dados imprecisos e perda de confiança. A CVM reagiu reforçando multas de até R$ 60 mil por atraso e identificou falhas de controle nas administradoras.

Sinais de endurecimento regulatório

O mercado espera endurecimento das regras. A magnitude dos atrasos sugere que as penalidades atuais não conseguem inibir o problema. Empresas que dependem de FIDCs para estruturar operações de crédito devem antecipar maior rigor na supervisão.

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