Estratégia Corporativa
Acordo UE-Mercosul: Paraguai vira hub estratégico para Brasil
Com o tratado em vigor, empresas brasileiras no Paraguai ganham vantagem competitiva na Europa. Oportunidade de expansão internacional exige planejamento.
Especialista em operações comerciais e gestão de vendas
Segundo NeoFeed, a entrada em vigor do acordo UE-Mercosul a partir de 1º de maio cria uma janela estratégica que poucos executivos estão aproveitando adequadamente. Mais de 200 empresas brasileiras que migraram operações para o Paraguai nos últimos anos se posicionaram, mesmo sem saber, para dominar um mercado de 718 milhões de consumidores.
O acordo conecta PIBs somados de US$ 22 trilhões, equivalente a R$ 110,5 trilhões. Para CEOs e CFOs, isso significa acesso direto a 27 países europeus com tarifas reduzidas ou zeradas. A projeção é que o alcance comercial brasileiro salte dos atuais 9% das importações globais para mais de 37%.
A vantagem paraguaia que você precisa conhecer
A Lei de Maquila paraguaia oferece benefícios que transformam a equação econômica:
- Imposto único de exportação de apenas 1% sobre valor agregado
- Isenção total para importação de insumos
- Custos operacionais até 40% menores
- Encargos trabalhistas reduzidos
- Estabilidade cambial
Setores como têxtil, calçadista e iluminação já colhem esses frutos. Empresas que fugiram do Custo Brasil descobriram que, além de reduzir custos domésticos, criaram uma plataforma de exportação para a Europa.
O gap de preparação que pode custar caro
Aqui reside o problema: muitas dessas empresas ainda miram o mercado brasileiro como prioridade. A Lupo, citada no levantamento, exemplifica essa mentalidade. Embora veja a Europa como meta futura, mantém foco no Brasil.
Essa visão limitada desperdiça uma vantagem competitiva construída. Enquanto empresas brasileiras hesitam, competidores asiáticos já estruturam operações para aproveitar o acordo. A janela de oportunidade existe, mas não permanecerá aberta indefinidamente.
Desafios logísticos que demandam estratégia
Nem toda indústria se beneficia automaticamente da Lei de Maquila. Gargalos logísticos e competição com fornecedores asiáticos criam barreiras reais. Para CFOs avaliando essa movimentação, o cálculo deve incluir não apenas economia fisca