Estratégia Corporativa

99Compras em SP: o que R$ 100M revelam sobre M&A

A 99 investe R$ 100M para lançar o 99Compras em São Paulo. O que esse movimento revela sobre estratégia de captação e consolidação de mercado.

Capa: 99Compras em SP: o que R$ 100M revelam sobre M&A

Segundo o portal Startups, a 99 lançou nesta terça-feira (28 de julho de 2026) o 99Compras em São Paulo, com aporte de R$ 100 milhões na nova operação. O serviço já cobre mais de 20 cidades da região metropolitana, incluindo Osasco, Mauá, Carapicuíba, Itaquaquecetuba e Barueri, reunindo categorias como supermercado, farmácia, pet shop, bebidas, floricultura e utensílios domésticos.

O lançamento na capital começa com cerca de 3 mil parceiros comerciais, entre eles Americanas, Carrefour, Cencosud, Cobasi, Petz, St. Marche e Ultrafarma, além de uma base de mais de 200 mil entregadores parceiros. Bruno Rossini, diretor sênior de comunicação da 99, foi direto ao ponto: "Estamos focados em criar serviços e tecnologias para construir um verdadeiro super app."

O 99Compras é o segundo movimento concreto dessa estratégia, depois do 99Food. A lógica é clara: usar a base instalada de motoristas e passageiros para criar recorrência em novos verticais, diluindo o custo de aquisição de cliente em múltiplos fluxos de receita.

O que esse movimento sinaliza para o mercado

Um aporte de R$ 100 milhões em uma única cidade não é só expansão geográfica. É uma aposta explícita em densidade logística como vantagem competitiva defensável. Com 200 mil entregadores parceiros só em São Paulo, a 99 está construindo um ativo que qualquer concorrente levaria anos para replicar.

Para quem acompanha o setor de M&A no Brasil, o padrão é reconhecível: plataformas de alto crescimento usam capital externo para conquistar posição de mercado antes de buscar rentabilidade. A presença de parceiros como Carrefour e Cencosud desde o dia um indica que a 99 não está testando o conceito. Está executando uma consolidação.

Os 3 mil parceiros comerciais no lançamento também merecem atenção. No ecossistema de entregas, o número de parceiros ativos funciona como proxy de saúde operacional. Uma base diversa, com varejistas de grande porte e especialistas como Cobasi e Petz, reduz dependência de um único vertical e aumenta a resiliência da plataforma em ciclos econômicos adversos.

Na minha leitura

Esse movimento da 99 é um caso clássico de uso de capital para criar barreiras de entrada antes que o mercado se consolide. A empresa não está competindo por margem agora. Está competindo por irreversibilidade: quanto mais entregadores, parceiros e usuários ativos, mais difícil fica para um concorrente chegar e oferecer algo comparável.

Para CEOs e fundadores de empresas que operam nesse ecossistema, seja como parceiros comerciais, fornecedores de logística ou potenciais competidores, a mensagem é direta: o janela para negociar posição nesse jogo está se fechando. Quem ainda não definiu como se posiciona em relação a plataformas desse porte precisa fazer essa escolha agora, não daqui a 18 meses.

E para quem pensa em valuation de negócios no setor de delivery e varejo omnichannel: movimentos como esse redefinem os múltiplos do setor. Uma empresa que hoje parece bem avaliada pode ser precificada de forma completamente diferente quando o 99Compras atingir escala nacional.