Valuation

Por que múltiplos setoriais não funcionam mais em 2026

Os métodos tradicionais de valuation estão falhando no mercado brasileiro atual. Descubra as novas abordagens que CEOs precisam conhecer.

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Por que múltiplos setoriais não funcionam mais em 2026

Recebo pelo menos três ligações por semana de CEOs perguntando por que o valuation da empresa deles "não faz sentido" comparado aos concorrentes. A frustração é sempre a mesma: "Minha empresa cresce 40% ao ano, tem margem melhor que a líder do setor, mas o múltiplo está abaixo da média setorial."

Essa situação virou regra, não exceção. O que funcionava até 2023 simplesmente não serve mais para o mercado que temos hoje.

A revolução silenciosa nos drivers de valor

Os múltiplos setoriais tradicionais nasceram numa época em que empresas do mesmo segmento competiam de forma parecida. Todas vendiam pelos mesmos canais, tinham estruturas de custo similares e cresciam no mesmo ritmo.

Hoje isso mudou completamente. Uma empresa de varejo que investe pesado em dados e automação pode ter margem EBITDA 3x maior que a concorrente tradicional. Usar o mesmo múltiplo P/L para ambas é como comparar uma Ferrari com um Corsa só porque os dois têm quatro rodas.

Segundo dados da B3 de dezembro de 2025, empresas brasileiras do mesmo setor apresentam dispersão de múltiplos 67% maior que há três anos. A explicação está nos novos drivers de diferenciação.

O que realmente move múltiplos em 2026

Os investidores hoje pagam prêmios enormes por três fatores específicos:

  • Capacidade de escala tecnológica: empresas que conseguem crescer receita sem crescer headcount proporcionalmente
  • Qualidade da base de dados: negócios que usam dados para decisões têm múltiplos 2,1x maiores (McKinsey, 2025)
  • Previsibilidade de fluxo: receita recorrente vale mais que nunca num ambiente de juros voláteis

Uma empresa de logística de Ribeirão Preto que automatizou 80% das operações foi vendida por 14x EBITDA em setembro passado. A média setorial? 8,5x. A diferença não estava no faturamento, mas na capacidade de crescer sem contratar.

Por que as comparações tradicionais falharam

Quando um CEO me mostra uma planilha com "múlti