Estratégia Corporativa

Estratégia corporativa em tempos de macro incerto

Como CEOs e CFOs devem calibrar estratégia corporativa quando juros, câmbio e inflação mudam as regras do jogo. Leia e entenda o que fazer agora.

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Toda semana algum CEO me faz uma variação da mesma pergunta: "Devo esperar o cenário macroeconômico estabilizar antes de tomar uma decisão grande?" A decisão pode ser uma aquisição, uma captação, uma reestruturação ou simplesmente expandir a operação. Mas a lógica é sempre a mesma: o macro está difícil, então vamos aguardar.

O problema é que esperar também é uma decisão. E quase sempre é a mais cara que uma empresa pode tomar.

O macro nunca vai "estabilizar" do jeito que você imagina

Quando converso com lideranças que estão em modo de espera, peço que me digam como seria o cenário ideal para agir. A resposta costuma ser algo como: "Juros em queda, câmbio previsível, inflação controlada e ambiente político mais claro." Justo. Mas esse cenário existe por quanto tempo, historicamente, no Brasil?

A macroeconomia brasileira opera em ciclos de incerteza com janelas curtas de estabilidade, não o contrário. Empresas que calibraram suas estratégias para agir dentro da volatilidade, e não apesar dela, sistematicamente saíram na frente de concorrentes que ficaram esperando a tempestade passar.

Isso não significa agir sem critério. Significa entender quais variáveis macro realmente afetam o seu modelo de negócio, e quais são só ruído.

Quais variáveis macro importam de verdade para a sua empresa?

Nem toda empresa é afetada da mesma forma pelo ambiente macroeconômico. Uma empresa de serviços recorrentes com receita em reais e clientes grandes responde ao ciclo de juros de forma completamente diferente de uma indústria exportadora alavancada em dólar.

O primeiro exercício que faço com qualquer cliente antes de uma decisão estratégica relevante é mapear a exposição real da empresa a três variáveis:

  • Taxa de juros: como o custo de capital da empresa se move com a Selic? E o custo de capital dos seus clientes?
  • Câmbio: há receita ou custo dolarizado? A empresa tem hedge natural ou está exposta?
  • Inflação e margem: os contratos permitem repasse? Qual