M&A
Due Diligence em 2026: 5 Erros Que Matam Negociações
CEOs cometem erros críticos no due diligence que custam milhões. Descubra os 5 principais e como evitá-los para acelerar suas negociações.
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Due Diligence em 2026: Os 5 Erros Críticos Que Matam Negociações Milionárias
Semana passada, um CEO me ligou desesperado. A empresa dele estava há 8 meses tentando vender para um grupo internacional. Tudo parecia caminhar bem até que o comprador simplesmente desistiu durante o due diligence. O motivo? Três erros básicos que custaram uma transação de R$ 240 milhões.
Essa história se repete mais do que deveria. Em 2026, mesmo com processos mais digitalizados e ágeis, vejo empresários experientes tropeçarem nas mesmas pedras no due diligence. A diferença é que agora os compradores são mais exigentes e os erros custam ainda mais caro.
O Due Diligence Virou Campo Minado
Os compradores de hoje não perdoam. Com ferramentas de análise mais sofisticadas e acesso a dados em tempo real, eles conseguem identificar inconsistências que antes passariam despercebidas. Uma auditoria que encontra divergências entre o que foi apresentado no teaser e a realidade da empresa pode derrubar uma negociação em 48 horas.
Quando um CEO me pergunta por que tantas transações morrem no due diligence, a resposta é sempre a mesma: falta de preparação estruturada. A empresa chega no processo pensando que vai "se virar" com a documentação que tem. Grave erro.
Erro 1: Documentação Financeira Inconsistente
O primeiro assassino de negociações é a bagunça nos números. Vejo empresas chegarem no due diligence com demonstrativos que não batem, ajustes de EBITDA sem justificativa sólida e receitas não recorrentes misturadas com operacionais.
Um case recente: empresa de tecnologia de São Paulo com EBITDA declarado de R$ 18 milhões. Durante o due diligence, descobrimos que R$ 4 milhões eram de venda de ativos, não operação. O múltiplo despencou de 12x para 8x, custando R$ 56 milhões na avaliação.
Como resolver:
- Segregue receitas recorrentes de não recorrentes nos últimos 36 meses
- Documente todos os ajustes de EBITDA com comprovantes
- Mantenha reconciliações mensais entre contábil e gerencial
- Prepare bridge de variações ano a ano com explicações detalhadas
Erro 2: Contratos Mal Estruturados
Contratos são o DNA da empresa. Quando chegam bagunçados no due diligence, sinalizam gestão amadora. O comprador imediatamente questiona: "Se não conseguem organizar os próprios contratos, que outras surpresas me esperam?"
Os problemas mais comuns:
- Contratos vencidos que continuam sendo executados
- Cláusulas de change of control não mapeadas
- Acordos verbais com clientes importantes
- Contratos trabalhistas com passivos ocultos
Uma distribuidora do interior perdeu um comprador porque 40% dos contratos de fornecimento estavam vencidos há mais de 12 meses. O risco jurídico assustou o investidor.
Erro 3: Compliance e Governança Deficientes
Em 2026, compliance não é mais "nice to have". É requisito básico. ESG, LGPD, trabalhista, tributário: tudo precisa estar em ordem. Uma única não conformidade pode derrubar meses de negociação.
O que mais vejo dar errado:
- Políticas internas desatualizadas ou inexistentes
- Tratamento inadequado de dados pessoais
- Questões trabalhistas mal resolvidas
- Licenças ambientais vencidas
- Estrutura societária complexa sem justificativa
Um grupo de franquias quase perdeu uma transação de R$ 180 milhões por causa de 15 processos trabalhistas mal provisionados. A solução foi criar um escrow de R$ 8 milhões, reduzindo o valor líquido para os sócios.
O que fazer antes do processo:
- Auditoria jurídica completa 6 meses antes
- Implementação de políticas de compliance básicas
- Regularização de todas as licenças e alvarás
- Mapeamento completo de processos e contingências
Erro 4: Time Despreparado Para o Processo
Due diligence não é só entregar documentos. É um processo de venda continuada onde cada interação conta. Quando o time não está preparado para responder perguntas técnicas ou demora dias para enviar informações básicas, o comprador perde confiança.
Vi CEO's delegarem o processo inteiro para o contador ou para um gerente financeiro junior. Resultado: respostas desencontradas, informações incompletas e, no final, deal morto.
Como estruturar o time:
- CEO como sponsor direto do processo
- CFO dedicado 60% do tempo ao due diligence
- Advogado especializado em M&A (não o mesmo do contencioso)
- Controller com domínio completo dos números
- Data room organizado por profissional experiente
Erro 5: Falta de Antecipação de Red Flags
Todo negócio tem esqueletos no armário. O erro fatal é deixar o comprador descobrir sozinho. Quando você antecipa os problemas e apresenta soluções, demonstra maturidade. Quando eles descobrem por conta própria, vira motivo para renegociar preço ou sair fora.
Red flags que sempre aparecem:
- Concentração de receita em poucos clientes
- Dependência de fundadores em operações críticas
- Sazonalidade não explicada nos números
- Rotatividade alta em posições chave
- Investimentos em tecnologia defasados
Uma software house de Florianópolis tinha 65% da receita concentrada em um cliente. Em vez de esconder, apresentaram um plano de diversificação já em execução, com 8 novos clientes prospectados. O comprador gostou da transparência e da estratégia. Negócio fechado.
Como Se Preparar Para Não Errar
Com tudo isso em mente, a preparação inteligente começa 12 meses antes de qualquer processo. Não é sobre criar uma empresa fake para vender. É sobre profissionalizar o que já existe e eliminar ruídos que atrapalham a percepção de valor.
O due diligence de 2026 é mais rápido, mais técnico e menos tolerante a amadorismo. Empresas preparadas fecham negócios em 90 dias. Empresas despreparadas passam 12 meses tentando e, na maioria das vezes, desistem no meio do caminho.
Se você está pensando em vender, captar ou fazer uma aquisição nos próximos 24 meses, comece a preparação agora. O custo de se preparar bem é uma fração do que você perde com um processo mal executado.