Valuation
CEO, sua empresa vale o que pensa? A realidade brutal do valuation
Descubra por que 80% dos CEOs superestimam o valor de suas empresas e como isso impacta decisões estratégicas críticas em 2026.
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
CEO, sua empresa vale o que pensa? A realidade brutal do valuation
Quando pergunto para um CEO quanto vale sua empresa, a resposta quase sempre vem rápida. "Entre 50 e 80 milhões", ele diz, citando o múltiplo de faturamento que viu num relatório setorial. Duas semanas depois, quando entregamos o valuation técnico, o silêncio é constrangedor. A empresa vale 32 milhões.
Esse cenário se repete mais do que qualquer executivo gostaria de admitir. Em 2026, com mercados voláteis e investidores cada vez mais criteriosos, a distância entre percepção e realidade de valor virou um problema estratégico grave. Não é mais só uma questão de ego empresarial.
O gap de percepção virou crise estratégica
Os números revelam uma tendência preocupante. Segundo dados da PwC de janeiro de 2026, 78% dos CEOs brasileiros superestimam o valor de suas empresas em pelo menos 40%. Na prática, isso significa que decisões críticas estão sendo tomadas com base em premissas financeiras completamente erradas.
O problema se agravou porque o ambiente mudou drasticamente. As empresas que navegaram bem a turbulência de 2023-2024 desenvolveram uma confiança excessiva. "Sobrevivemos à crise, crescemos 15% no ano passado, obviamente valemos mais", é o raciocínio típico. Acontece que crescer em mercado adverso não se traduz automaticamente em múltiplos maiores.
Por que essa distorção acontece
Quatro fatores explicam essa desconexão sistemática:
- Múltiplos de mercado mal aplicados: CEOs pegam múltiplos setoriais médios e aplicam direto nas suas empresas, ignorando diferenças de porte, margem e posicionamento
- Confusão entre faturamento e valor: uma empresa com R$ 100 milhões de receita pode valer R$ 30 milhões ou R$ 120 milhões, dependendo da estrutura de custos e previsibilidade
- Superestimação de ativos: aquele terreno comprado em 2018 pode ter valorizado no papel, mas o mercado não paga prêmio por ativos não operacionais
- Viés do fundador: quem construiu a empresa do zer