M&A

Erros de valuation que destroem negociações de M&A

Depois de assessorar dezenas de transações de M&A, identifiquei os erros de valuation que mais destroem negociações antes mesmo de chegarem à mesa de assinatura

Capa: Erros de valuation que destroem negociações de M&A

Semanas atrás, durante uma sessão de trabalho com o conselho de uma empresa familiar do setor industrial, o fundador me mostrou uma planilha de valuation que ele havia preparado com o CFO interno. O número era impressionante. Bonito até. Mas quando comecei a desconstruir as premissas, percebemos juntos que o modelo projetava crescimento de receita a taxas que a empresa nunca havia sustentado por mais de dois trimestres consecutivos, aplicava múltiplos de empresas de tecnologia sobre um negócio de manufatura tradicional, e ignorava completamente um passivo trabalhista que qualquer due diligence séria levantaria nos primeiros dias.

O resultado? Um valuation que o comprador potencial rejeitou na primeira reunião técnica. A negociação morreu antes de começar.

Essa história se repete com uma frequência que me preocupa. E o problema não é falta de inteligência dos fundadores ou dos CFOs. É uma combinação de viés emocional, uso equivocado de metodologias e uma compreensão rasa do que o comprador está realmente comprando.

A Raiz do Problema: Vendedor e Comprador Vivem em Mundos Diferentes

Quando assessoro uma empresa no processo de M&A, a primeira coisa que faço é separar duas perguntas que parecem iguais mas não são: "quanto vale essa empresa para o dono" e "quanto um comprador racional pagaria por ela". A confusão entre as duas é a origem de quase todos os impasses que já vi.

O dono construiu o negócio ao longo de 20 anos. Sabe de cada decisão difícil, cada crise superada, cada cliente conquistado na raça. Esse contexto cria um valor emocional real para ele. Mas o comprador não está comprando o passado. Está comprando fluxo de caixa futuro, com os riscos que enxerga desse futuro.

Isso não é filosofia. É a base do DCF, a metodologia mais utilizada em transações de médio e grande porte. Quando o vendedor ancora o valuation no que já construiu, e o comprador ancora no que ainda precisa ser provado, o gap de expectativa pode ser enorme. E na maioria dos casos, esse g