Estratégia Corporativa
Por que CEOs inteligentes estão criando empresas descartáveis
Na minha experiência assessorando mais de 200 transações, descobri algo contraintuitivo: os CEOs mais bem-sucedidos de 2026 não estão construindo impérios para
Estrategista-Chefe e CEO do Grupo Sapiens
Por que CEOs inteligentes estão criando empresas descartáveis
Ontem recebi uma ligação que me fez repensar tudo sobre construção de valor. O CEO de uma empresa de tecnologia financeira com faturamento de R$ 180 milhões me disse algo que inicialmente soou como heresia: "Thales, não quero mais construir para durar. Quero construir para vender."
Essa conversa cristalizou uma tendência que venho observando em praticamente todos os setores: os executivos mais sofisticados de 2026 abandonaram o romantismo da "empresa centenária" e abraçaram uma lógica brutal de eficiência. Não estão construindo legados familiares. Estão construindo máquinas de criar valor que podem ser monetizadas no momento ideal.
A nova lógica de construção de valor
Essa mudança de mentalidade não surgiu do nada. Os dados da PwC sobre o mercado brasileiro de M&A em 2026 mostram que empresas desenhadas desde o início para eventual venda obtêm múltiplos 40% superiores em transações. Mas o que os números não capturam é a revolução operacional por trás dessa estatística.
Quando assessorei uma empresa de logística em Goiânia no ano passado, o fundador me mostrou planilhas detalhadas de como cada decisão estratégica era avaliada pela sua contribuição para a "vendor readiness" futura. Margem EBITDA, governança, processos, tecnologia, até a estrutura jurídica societária. Tudo pensado para maximizar atratividade em uma eventual transação.
O resultado? Em 18 meses, transformamos uma operação familiar com EBITDA de 8% em uma plataforma consolidada com 22% de margem, pronta para ser adquirida por um múltiplo de 14x.
Como identificar oportunidades de "design para venda"
A diferença entre empresas construídas para operar e empresas construídas para venda está nos detalhes operacionais. Empresas "descartáveis" no melhor sentido da palavra são desenhadas com três características fundamentais:
Escalabilidade sem dependência do fundador: Processos documentados, sistemas integrados, equipe executiva